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Gilberto Gil – Gilbertos Samba

Desde que a música brasileira foi envolvida pela transformadora maneira de um baiano chamado João Gilberto fazer samba, todas as certezas musicais que permeavam a nossa sonoridade foram delicadamente alteradas. O ano era 1958 e o violão elaborado, a voz baixa e a cadência suave deram origem a um estilo que ganhou corpo e também o mundo. A bossa-nova. Mesmo com toda leveza, Chega de Saudade de João Gilberto caiu como uma bomba na cabeça de músicos e do público. E até aqueles que navegavam por outros estilos, se renderam a nova, complexa e harmoniosa forma do banquinho e violão.

 

João Gilberto - Chega de Saudade

João Gilberto – Chega de Saudade

 

Já se passaram anos, e muitos outros irão passar, e a bossa-nova continua sendo um dos símbolos musicais mais fortes do Brasil. E Gilberto Gil, como bom defensor da nossa música brasileira, prestou uma homenagem das mais elegantes não só a João e a bossa, mas também ao Brasil e sua história. Sim, porque justamente por ter nascido e crescido em um momento tão marcante do país, foi trilha sonora de fatos e acontecimentos inesquecíveis. E assim nasceu Gilbertos Samba, álbum mais recente de Gil que traz em seu repertório pérolas clássicas do universo da bossa-nova, além de duas novidades criativas do moço.

 

Os anos 50 foram marcados por  JK, presidente bossa-nova

Anos 50: marcados pelas várias mudanças de JK, o presidente bossa-nova

 

O fio condutor de Gilbertos Samba é a voz cristalina de Gil, seu violão limpo e melodioso, percussões bem colocadas e algumas surpresas como a sanfona, a guitarra e as batidas eletrônicas. O Pato, Desafinado, Desde Que o Samba é Samba, Doralice, Você e Eu e as inéditas Um Abraço no Gilberto e Gilbertos estão poeticamente organizadas em uma sequência impossível de se escutar somente uma vez.

 

Gilbertos Samba

Gilbertos Samba

 

Em Gilbertos Samba, Gil vem acompanhado – além da atemporal bossa-nova – da sonoridade conteporânea de Domenico Lancelloti, Rodrigo Amarante e Pedro Sá e da tradição musical de Dori e Danilo Caymmi. E para completar o time eclético e afinado, Bem Gil e Moreno Veloso põe a mão na massa e se encarregam de tocar a produção do disco. Tudo sob a batuta certeira de Gilberto Gil, que assina a direção musical.

 

Um banquinho e um violão. Afinal "o belo está no simples"

Um banquinho e um violão. Afinal “o belo está no simples”

 

Difícil citar aquele que seja o melhor disco de Gil, mas com certeza Gilbertos Samba vai entrar na lista de muita gente por aí.  E talvez na sua também, afinal – como disse lá em cima – é impossível escutar o novo álbum de Gil somente uma vez. Nossos ouvidos sempre pedem mais!

Aqui no Link Sonoro você confere Você e Eu.

Até a próxima!

 

 

 

 
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Publicado por em 05/10/2014 em Música

 

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Arnaldo Antunes – Disco

Este ano Arnaldo Antunes soltou o 10º álbum de sua carreira solo e fez a escolha por um título que gera reflexão, como ele mesmo já mencionou. Afinal, em tempos de música online, o “disco” perdeu um pouco de sua força para as faixas avulsas. E foi com esse pensamento que ele batizou seu novo rebento simplesmente como Disco. Mas esse “simplesmente“ fica por aí. Talvez por já ter passeado por vários caminhos da música, Arnaldo traz um CD que abraça todos os elementos e estilos explorados pelo músico em seus anos música, desde a época do Titãs, passando pelo estilo Tribalista, a poesia concreta e, claro, o rock.

 

Disco

Disco

 

Em um primeiro momento, Disco pode parecer um pouco confuso em sua sequência. Mas ao escutar com mais atenção, percebemos que a busca pela simplicidade, tanto estética quanto musical, gerou um álbum que traz um artista envolvido com diversos temas e levadas. Arnaldo está totalmente à vontade com sua poesia sem precisar, a essa altura do campeonato, investir em experimentações desconexas e desnecessárias.

 

Disco : simples, belo e sem excessos

Disco : simples, belo e sem excessos

 

Com a produção nas mãos de Betão Aguiar e Gabriel Leite, Arnaldo Antunes buscou antigos e novos parceiros para Disco. Edgar Scandurra, Marcelo Jeneci, Dadi Carvalho, Mônica Salmaso, Marisa Monte, Felipe Cordeiro, Guizado, Céu e Curumin, marcam presença em Disco, seja nos vocais, intrumentais ou em parceria nas letras. Arnaldo tirou algumas composições escondidas no seu baú, criou outras tantas e acrescentou uma releitura para Mamma, faixa de Gilberto Gil em sua época de exílio em Londres. Os temas são os mais diversos, o mundo afro está em Oxalá Chegar, o questionamento sobre o comportamento humano nos dias atuais em Muito Muito Pouco, a poesia do rio que leva água e os pensamentos em Azul Vazio e as cobranças burocráticas de todo mundo em Ah, Mas Assim Vai ser Difícil. Para a mente poética, urbana e contemporânea de Arnaldo Antunes, o que não falta é inspiração para abordar os mais diversos assuntos das mais variadas formas.

 

Arnaldo Antunes e Edgar Scandurra, uma das parcerias mais brilhantes da música brasileira

Arnaldo Antunes e Edgar Scandurra, uma das parcerias mais brilhantes da música brasileira

 

Resumindo, Disco é um trabalho que é a cara de Arnaldo Antunes. Multiplo, cheio de segundas e terceiras intensões com a palavra e a melodia. Para conferir esse e tantos outros trabalhos do moço é só acessar www.arnaldoantunes.com.br e boa viagem.

Aqui no Link Sonoro, você confere Disco na íntegra, que está disponível no Soundcloud de Arnaldo Antunes.

Até a próxima!

 

 

 

 

 
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Publicado por em 12/09/2013 em Música

 

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Mayra Andrade – Lovely Difficult

Quando um artista tem influência de várias culturas, é normal que sua obra seja um mix de estilos, línguas e referências. Se essa salada estiver bem temperada, o que se tem é uma deliciosa receita musical. Mayra Andrade é uma cantora que traz essas características. Nascida em Cuba, criada em Cabo Verde e com temporadas passadas em países como Alemanha, Senegal, Angola e agora França. Tantos climas, linguagens e estilos fazem da obra musical de Mayra uma viagem onde não existem fronteiras ou diferenças.

 

Mayra Andrade

Mayra Andrade

 

Este mês a moça soltou seu 4º álbum, Lovely Difficult, e mostrou que traz em sua música um olhar sensível e delicado para tantos estilos diferentes. Em crioulo, francês ou inglês Mayra mostra a mesma desenvoltura vocal, com um canto afinado e suave, sem excessos ou notas desnecessárias. Para acompanhá-la em sua nova empreitada, ela também buscou na diversidade cultural músicos de países diferentes. TéTé, Piers Faccini, Pascal Danae e Mario Lucio Sousa são só algumas feras que marcam presença em Lovely Difficult. Isso sem falar no produtor Mike Pelanconi, que levou Mayra e sua trupe para um estúdio em Brighton, no Reino Unido, e deixou essa moçada à vontade para fazer sua música. O resultado são arranjos criativos e ricos na variedade instrumental.

 

Lovely Difficult

Lovely Difficult

 

O repertório traz o lado livre da compositora, em letras que falam de amores e lugares de maneira poética mas com um pé no pop. E por pop, não se entenda aquele estilo pegajoso e estéril. O termo aqui é só uma maneira de se referir a uma música que pode cruzar diferentes ouvidos, sem causar nenhum tipo de estranheza. Isso faz de Lovely Difficult um álbum musicalmente elaborado, repleto de sutilezas e instrumentações que se unem de maneira harmônica e coerente. Ténpu Ki Bai, Le Jour Se Léve, We Used Call It Love, Rosa, Simplement e Ilha de Santiago são só algumas das surpresas melódicas que Mayra nos oferece em Lovely Difficult.

 

Mayra Andrade cruza fronteiras com sua música rica e seu canto afiando

Mayra Andrade cruza fronteiras com sua música rica e seu canto afinado

 

Se você ficou curioso para conhecer Lovely Difficult ou quer saber mais desta artista sem fronteiras é só acessar www.mayra-andrade.com . Das redes sociais a biografia, das músicas as fotos, está tudo lá, um clique e você já está no universo musical de Mayra Andrade. Uma boa viagem sonora!

Aqui no Link Sonoro você confere a faixa Ilha de Santiago.

Até a próxima!

 

 

 

 
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Publicado por em 11/28/2013 em Música

 

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Paul McCartney – New

Paul McCartney já poderia, se quisesse, ter pendurado as chuteiras há muito tempo. É só fazer um breve passeio pela sua carreira e “ouvir” os inúmeros clássicos que ele emplacou durante a fase Beatles, Wings, solo e por aí vai. Músicas que mesmo quem nasceu bem depois de seus lançamentos, sabe cantar pelo menos o refrão. Isso sem nos esquecermos das belezas harmônicas e poéticas de suas composições. Mas Macca tem disposição, criatividade e notas sobrando em sua mente fervilhante. Claro, além de bom humor e tranquilidade, fundamentais para saber que a vida está muito além da idade.

 

Do tempo dos Beatles até hoje, muita música já rolou

Do tempo dos Beatles até hoje, muita música já rolou

 

Para confirmar que todo seu talento é multifacetado e inesgotável, Paul McCartney soltou este mês New, álbum que traz o rock’n’roll no melhor estilo Beatles, baladas deliciosas e o bom e velho blues que sempre influenciou o jovem de Liverpool. Vale uma rápida refrescada na memória. Ano passado Sir. Paul McCartney se infiltrou no universo jazzístico e, ao lado de Diana Krall, lançou o elaborado Kisses On The Botton. Um disco requintado que trazia clássicos dos anos 1930 e 1940. Pouco mais de um ano depois, ele dá uma volta de 360 graus para mostrar mais uma vez, que uma boa música pode vir do analógico século passado ou das novas tecnologias dos anos 2000.

 

New

New

 

Músico antenado, talvez esteja aí um dos ingredientes para sua juventude aos 71 anos, McCartney se uniu a Mark Ronson, Giles Martin (filho do “5º Beatle” George Martin), Ethan Jonhs e Paul Empworth. Todos jovens produtores que vem se destacando na cena musical nos últimos anos com artistas como Amy Winehouse, Kings Of Leon e Florence And The Machine. O tom Beatle misturado ao sangue novo destes rapazes, rendeu um disco com canções que tem a cara de Paul mas com uma levada contemporânea. New começa com a vigorosa Save Us, um rock de primeira que deixa o ouvinte ancioso pelas faixas seguintes. On My Way To Work, New e Queenie Eye poderiam, facilmente, ter saído de algum álbum dos Beatles. Early Days e Hosanna fazem parte da sessão baladas bem elaboradas e ainda tem Get Me Out Of Here, um blues rasgado com uma sonoridade que nos leva para os primórdios do estilo.

 

Mark Ronson, um dos convidados de Sir. Paul McCartney

Mark Ronson, um dos convidados de Sir. Paul McCartney

 

New é um álbum que vai deixar os fãs de Paul McCartney muito felizes ! Para conferir mais do novo rebento do “rapaz” é só acessar www.paulmaccartney.com , site super completo. Vale navegar por ele um bom tempo .

Macca, um jovem senhor cheio de músicas na cabeça

Macca, um jovem senhor cheio de músicas na cabeça

 

Aqui no Link Sonoro você confere Queenie Eye, vídeo cheio de participações pra lá de especiais.

Até a próxima!

 

 
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Publicado por em 10/24/2013 em Música

 

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Arctic Monkeys – AM

O Arctic Monkeys está de volta dois anos depois do lançamento de  Suck It and See. A ausência já estava causando tristeza nos fãs da banda inglesa, que estavam anciosos pelo próximo passo musical dos rapazes. E a espera acabou com AM, 5º álbum do grupo que traz o rock vigoroso da trupe, mas também algumas baladas e um tom retrô.

 

AM (2013)

AM (2013)

 

Em AM, o Arctic Monkeys abre o leque sonoro e se permite passear por todos os sons que influenciaram o grupo. Já Alex Turner está cada vez mais seguro no posto de frontman da banda. Sem timidez e com muita vontade de soltar a voz em rocks e baladas. AM pode causar estranheza aos fãs mais fundamentalistas, mas depois de algumas audições a gente percebe que os caras se permitiram explorar novas harmonias e tons. Sem perder a pegada indie rock que projetou a banda para o mundo, Alex Turner e cia. abrem espaço para sonoridades setentistas, baladas com um viés psicodélico e backing vocals que aparecem em quase todas as faixas.

 

Arctic Monkeys e seu tom meio retrô em AM

Arctic Monkeys e seu tom meio retrô em AM

 

O novo trabalho do Arctic traz a participação, e apoio, de Josh Homme do Queens Of The Stone Age – que já havia trabalhado com a banda – e esta fera marca presença na faixa Knee Socks.  Na mesma onda rock estão R U Mine? , Do I Wanna Know, I Want It All e Arabella. Para balancear o peso, o Arctic Monkeys apresenta canções que mostram a criatividade dos garotos mesmo em levadas mais suaves e psicodélicas com No 1 Party Anthem, Mad Sounds e I Wanna Be Yours. AM é um disco que traz as várias faces do Arctic Monkeys que os caras resolveram explorar. E eles não fizeram feio. A ousadia do grupo rendeu um trabalho original e diferente do que estávamos acostumados. Vale conferir o novo rebento destes ingleses.

 

Josh Homme e Alex Turner, parceria que deu certo

Josh Homme e Alex Turner, parceria que deu certo

 

Para quem ficou curioso ou quer conferir mais do Arctic Monkeys é só acessar www.arcticmonkeys.com . Está tudo lá : fórum, fotos, músicas, redes sociais e agenda de shows. Boa viagem!!

Aqui no Link Sonoro você confere a faixa R U Mine?

Até a próxima!

 

 

 
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Publicado por em 10/14/2013 em Música

 

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Janelle Monae – The Electric Lady

Um dos álbuns mais bacanas que foram lançados em 2010, foi o de uma garota talentosa e criativa que nos apresentou um trabalho conceitual, que trazia uma narrativa inspirada no universo futurístico da ficção científica. The Archandroid de Janelle Monae, lançado naquele ano, trazia a androide Cindi Mayweather (referência ao longa Metropolis de Franz Lang), um robô que cometeu o pecado mortal de se apaixonar por um humano, o que fez dela uma fugitiva. Uma maneira interessante que Janelle encontrou para fazer um paralelo entre o preconceito e a discriminação.

 

The Archandroid - 2010

The Archandroid – 2010

 

Este ano Janelle Monae continua sua saga soul-futuristica com o lançamento de The Electric Lady, trabalho que traz a continuação da história de Cindi, as participações de Prince, Erykah Badu, Esperanza Spalding, Miguel e Solange Knowles, além do funk-soul-R&B bem amarrados que a moça faz. O discurso engajado também continua em seu 2º álbum, e Janelle não deixa de lado suas ideias à respeito da repressão e da auto-aceitação. Garota esperta e cheia de atitude!

 

The Electric Lady

The Electric Lady

 

Em The Electric Lady, Janelle Monae apresenta um swing conduzido por batidas eletrônicas em sintonia com linhas de baixo bem elaboradas, guitarras e violões harmonizados, metais discretos e pontuais e vocais afinados. Mas, sem os excessos “gritantes” que algumas cantoras mostram por aí. A moça faz tranquilamente o intercâmbio entre as raízes da música negra e a sonoridade hi-tech do século XXI. Faixas como Q.U.E.E.N que tem a presença de Erykah Badu, Givin’ Em What They Love com Prince na guitarra e back vocal, We Were Rock & Roll e It’s Code são algumas amostras de como Janelle Monae transita de maneira coerente no universo da black music de todos os tempos.

 

Janelle Monae e Erykah Badu, dobradinha de peso!

Janelle Monae e Erykah Badu, dobradinha de peso!

 

Janelle Monae segue firme no seu propósito de fazer uma música pop sem estrelismos e devaneios incoerentes. E a garota acerta em cheio com suas ideias musicais e pessoais. Se quiser navegar no universo de Janelle é só acessar www.jmonae.com . Está tudo lá,  fórum, redes sociais, músicas, fotos, vídeos e por aí vai. Boa viagem no universo de Janelle Monae!

Aqui no Link Sonoro você confere a faixa Q.U.E.E.N com a participação de Erykah Badu.

Até a próxima!

 

 
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Publicado por em 10/02/2013 em Música

 

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Dzi Croquettes – “As Internacionais”

A arte, assim como tudo no mundo, é algo que não conseguimos definir em uma só palavra, um só gesto, uma só nota ou uma só cor. Uma palavra pode ter um efeito arrasador ou delicado, nossos movimentos podem ser duros ou flexíveis, a música pode ser densa ou suave e a cor pode se tornar várias com a influência da luz. Nós também somos assim, meio macho – meio fêmea, meio anjo – meio demônio, meio sentimental – meio racional. Resumindo : nada é uno por si só e a dualidade é uma lei que permeia toda ciência, arte e filosofia.

 

Tudo tem seus dois lado...(tela de Jorge Jucá)

Tudo tem seus dois lado…(tela de Jorge Jucá)

 

Você deve estar se perguntando porque começar um texto com os dois lados de tudo ou qual a razão especial para escrever sobre este grupo. Bom, para falar de Dzi Croquettes não precisa de uma data ou evento especial, afinal só pelo fato de mudar o “fazer artístico” no Brasil já é um motivo para lembrar destes rapazes a qualquer hora. Já a dualidade foi o carro-chefe, a marca registrada destes 13 artistas multifacetados.

 

Dzi Croquettes

Dzi Croquettes

 

Na época em que nasceu o Dzi Croquettes, o Brasil estava em meio a um dos momentos mais rigorosos da ditadura militar. A mão da censura pairava sobre toda e qualquer manifestação artística, afinal a arte – além dos embates violentos entre povo e militares nas ruas do país –  era uma forma de enfrentar aquele regime que foi um dos maiores vilões do país que queria de volta a sua liberdade de ser e pensar. O dançarino e coreógrafo nova-iorquino Lennie Dale já estava sacudindo os alicerces do espetáculo brasileiro com sua dança, seu estilo de cantar, suas parcerias e apresentações com diversos artistas nacionais. Elis Regina, por exemplo, deve toda sua movimentação de palco (e braços) às “dicas” de Lennie. Daí para criar um grupo que levasse para o palco a ginga brasileira com a disciplina dos ensaios da Broadway (local de onde veio Dale) foi um pulo.

 

Elis, uma das fãs-aprendizes de Lennie

Elis, uma das fãs-aprendizes de Lennie

 

O Dzi Croquettes era formado por 13 homens fortes, peludos e másculos que se vestiam como damas de cabaré,  usavam maquiagens pra lá de criativas,  tinham a leveza de uma bailarina russa e o swing do povo brasileiro. O Dzi levava para os palcos coreografias arrasadoras, com uma estética visual difícil de se encontrar até hoje. Salvo os shows geniais de Ney Matogrosso, um dos fãs de carteirinha dos Croquettes e altamente influenciado pelo o estilo do grupo , tanto na época dos Secos e Molhados quanto em sua carreira solo.

 

Secos e Molhados, qualquer semelhança com o Dzi não é mera coincidência

Secos e Molhados, qualquer semelhança com o Dzi não é mera coincidência

 

As músicas também eram um caso à parte nos shows. Não importava a língua ou estilo. Em inglês, português ou francês, se samba, bolero ou soul, o grupo sempre mostrava a mesma técnica e preparo físico para todos os atos dos espetáculos. Originalidade, ousadia, liberdade criativa e inventividade são só algumas palavras para descrever o trabalho do Dzi Croquettes. Essa família, como gostavam de ser chamados, elevou o fazer artístico brasileiro a um alto patamar de profissionalismo.

 

Não existia esse ou aquele estilo para o Dzi, existia a Arte.

Não existia esse ou aquele estilo para o Dzi, existia a Arte.

 

Do Brasil para Paris foi outro pulo, desta vez apadrinhado por Liza Minnelli, que depois de assistir um show do grupo no Brasil, se apaixonou completamente por aqueles 13 homens “talentosérrimos”. Como ela  disse no documentário realizado por Tatiana Issa e Raphael Alvarez ( Dzi Croquettes – 2009) : “I can’t describe in one Word”.   A temporada na Cidade Luz foi um sucesso, com direito a novos fãs como Mick Jagger, Josefine Backer e Jeane Moreau só pra citar alguns.

 

Liza Minnelli, o passaporte para a temporada internacional do Dzi Croquettes

Liza Minnelli, o passaporte para a temporada internacional do Dzi Croquettes

 

A volta ao Brasil foi na verdade uma reviravolta e a AIDS, algumas diferenças e o destino encerraram a jornada de um dos mais impactantes grupos brasileiros. Mas ficou a memória de um dos momentos mais vigorosos e criativos da cultura brasileira. Uma fonte inesgotável para todo o artista que busca transcender os limites da arte, da técnica, da irreverência e dos conceitos pré-estabelecidos. Como eles diziam : “Não somos homens, não somos mulheres. Somos gente como vocês.”  Ou seja, eles levavam para a arte, para o palco e para a vida o dois lados de tudo. Se você quiser conhecer a fundo o Dzy Croquettes, é só assistir o documentário, que está disponível no Youtube. Aliás vale à pena e muito conferir essa homenagem emocionante de Tatiana Issa ( filha do coreógrafo Américo Issa ) e Raphael Alvarez.

 

Dzi Croquettes - O documententátio

Dzi Croquettes – O documententário

 

Aqui no Link Sonoro você confere um trecho do espetáculo em que o Dzi dá a sua cara para o soul de James Brown.

Até a próxima!

 

 

 

 

 

 

 

 
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Publicado por em 09/24/2013 em Música

 

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