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A Era Disco

(Ouça a íntegra do programa aqui)

 

A Era Disco – Podcast

 

Hoje a gente vai voltar na década de 1970 para passear por um dos momentos mais “agitados” da música e que continua sacudindo pessoas de várias gerações, a Disco Music. O movimento sacudiu o mundo com músicas pra lá de dançantes e levou ao estrelato uma série de nomes que mudaram definitivamente a cara do pop.

 

Uma era cheia de cores
Uma era cheia de cores

 

Naquela época o mundo estava passando por mudanças que vinham impactando a sociedade e que teve seu início nos anos 60. Na América Latina a ditadura foi ganhando cada vez mais espaço, nos EUA Richard Nixon deixava o país em polvorosa com o escândalo de Watergate e na Inglaterra Margareth Tatcher se tornou a 1a mulher a assumir o posto de  Primeira Ministra Britânica na história. Já no mundo da música bandas como Deep Purple, Black Sabbath, Led Zepellin, Kiss e AC/DC levavam o rock ao topo das paradas e no Brasil ditadura, música de protesto e censura se cruzavam em um momento complexo da nossa história. E foi em meio a toda essa turbulência que surgiu a Disco Music, estilo que trazia arranjos grandiosos, um pegada funk e muito estilo, principalmente nos figurinos.

 

A Dama de Ferro era "um pouco mais conservadora"
A Dama de Ferro era “um pouco mais conservadora”

 

A Era Disco ganhou as pistas, o cinema e as TV’s do mundo em 1974, com o sucesso de bandas, e artistas, como Sister Sledge, Chic, Kc & Sunshine Band, Donna Summer, Blondie, Earth, Wind & Fire, Gloria Gaynor e tantos outros que estão presentes até hoje na memória de muita gente. Para aumentar a força do movimento dois eventos importantes aconteceram naquele período. Um deles foi a abertura da boate Studio 54 em Nova York frequentada por artistas de cinema, da música, das artes plásticas, da moda, sem falar nos príncipes e princesas que se renderam aos encantos da casa. Outro acontecimento igualmente importante, foi o lançamento do filme Os Embalos de Sábado A Noite que trazia em seu elenco os jovens John Travolta e Olivia Newton-John. Ou seja, à partir daí a Disco Music dominou as paradas de sucesso de todo o mundo.

 

Se você conseguisse entrar no Studio 54, iria encontrar com "esse pessoal"
Se você conseguisse entrar no Studio 54, iria encontrar com “esse pessoal”

 

O som era muito elaborado, arranjos bem construídos para os metais, vocais poderosos, guitarras funkedas, baixos com muito groove e a presença de instrumentos como o violino, que acredite, caía como uma luva nas composições. O Brasil, por sua vez, não ficava atrás nesta história, por aqui Lady Zu, Frenéticas e a novela Dancing Day’s ajudavam a Disco Music a conquistar as rádios, TV’s e pistas nacionais, com o mesmo padrão de qualidade musical.  Ah, e é importante lembrar, os figurinos…saltos plataforma, batas largas, calças boca de sino, decotes generosos, cabelo armados e maquiagens robustas que destacavam os olhos e as bocas das moças da época.

 

Dancin' Days
Dancin’ Days

 

Como não se lembrar de faixas como I Want Your Love do grupo Chic, On the Radio de Donna Summer, Heart Of Glass do Blondie, Fantasy do Earth, Wind And Fire e Celebration do Kool And The Gang? Em qualquer festa que rolar alguma música da Era Disco, a pista vai literalmente “bombar”. Afinal, quando o som é bom, ele não tem data de validade. Ficou com vontade de voltar no tempo e se jogar na Disco Music? Uma pesquisa rápida no Youtube e você vai encontrar verdadeiras pérolas.

 

Earth, Wind and Fire, big band mais disco impossível
Earth, Wind and Fire, big band mais disco impossível

 

E já que disco music boa é aquela que faz a gente cantar e dançar, você fica com Gloria Gaynor e a faixa Never Can say Goodbye.

Até a próxima! 😀

 

 

 

 

 

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U2 – Songs Of Experience

(Ouça a íntegra do programa aqui)

 

U2, Songs Of Experience – Podcast

 

Em 2014 o U2 lançou Songs Of Innocence, álbum que era o ponta pé inicial para um segundo trabalho intitulado Songs Of Experience. De acordo com os integrantes da banda, ambos foram inspirados em Songs of Innocence and of Experience obra do poeta inglês William Blake. Passados 3 anos a 2ª parte deste projeto chegou ao mercado depois de passar por uma pequena revisão, digamos assim, afinal foram vários eventos conturbados mundo afora nos últimos tempos e como Bono Vox e companhia são extremamente politizados e acompanham de perto todas as convulsões sociais do nosso planeta, alguns detalhes foram revistos para acompanhar o momento atual que vivemos.

 

Songs Of Experience

 

Como em Songs Of Innocence, Songs of Experience vem recheado de produtores que contribuíram para que este novo trabalho do U2 tivesse a sonoridade típica do grupo e doses de contemporaneidade em um mix que mostrasse que estes rapazes de meia idade não perderam suas raízes e estão totalmente antenados com o universo musical. Entre eles está Steve Lillywhite premiado produtor inglês que , por já ter trabalhado com a banda em outras ocasiões, conhece de perto não só o estilo como também as melhores nuances para as música dos irlandeses. O resultado final traz o rock tradicional e característico do U2 com a guitarra certeira de The Edge, a cozinha afinada conduzida por Larry Muller Jr e Adam Clayton e, claro, a voz poderosa de Bono Vox.

 

Steve Lillywhite, Bono e U2, parceria de longa data

 

Neste novo trabalho o U2 nos leva por um roteiro bem elaborado com alterações melódicas criativas e que conseguem prender o ouvinte a cada canção. Em um repertório bem amarrado e coerente os moços mostram que a maturidade permite uma visão mais aprofundada do momento que vivemos, além do tom de urgência daqueles que não querem mais perder tempo com aquelas futilidades que surgem no dia-a-dia de qualquer um.

 

Para o U2 é urgente tratar certos temas

 

Em Songs Of Experience Bono faz avaliações e críticas às tantas convulsões sociais que existem por aí, mas ele não perde o otimismo e o amor surge como a grande mola propulsora para o início de um mundo melhor e mais justo e como arma contra todo mal que está aí. Summer of Love, American Soul, The Little Things That You Give Away e Love Is Bigger Than Anything In Its Way são algumas das faixas que saem da voz de Bono com sua interpretação forte e intensa.

 

U2

 

Se você ainda não conhece Songs Of Experience vale à pena reservar um tempo para conferir este novo álbum do U2, ele está disponível em diversas plataformas digitais e para acompanhar de perto o trabalho destes irlandeses nota 10 é só acessar u2.com.

Até a próxima! 😀

 

Dzi Croquettes – “As Internacionais”

(Ouça a íntegra do programa aqui)

 

 

A arte, assim como tudo no mundo, é algo que não conseguimos definir em uma só palavra, um só gesto, uma só nota ou uma só cor. Uma palavra pode ter um efeito arrasador ou delicado, nossos movimentos podem ser duros ou flexíveis, a música pode ser densa ou suave e a cor pode se tornar várias com a influência da luz. Nós também somos assim, meio macho – meio fêmea, meio anjo – meio demônio, meio sentimental – meio racional. Resumindo : nada é uno por si só e a dualidade é uma lei que permeia toda ciência, arte e filosofia.

 

Tudo tem seus dois lado...(tela de Jorge Jucá)
Tudo tem seus dois lado…(tela de Jorge Jucá)

 

Você deve estar se perguntando porque começar um texto com os dois lados de tudo. Bom, para falar de Dzi Croquettes não precisa de uma data ou evento especial, afinal só o fato de mudar o “fazer artístico” no Brasil já é um motivo para lembrar destes rapazes a qualquer hora. Já a dualidade foi o carro-chefe, a marca registrada destes 13 artistas multifacetados.

 

Dzi Croquettes
Dzi Croquettes

 

Na época em que nasceu o Dzi Croquettes, o Brasil estava em meio a um dos momentos mais rigorosos da ditadura militar. A mão da censura pairava sobre toda e qualquer manifestação artística, afinal a arte – além dos embates violentos entre povo e militares nas ruas do país –  era uma forma de enfrentar aquele regime que foi um dos maiores vilões do país que queria de volta a sua liberdade de ser e pensar. O dançarino e coreógrafo nova-iorquino Lennie Dale já estava sacudindo os alicerces do espetáculo brasileiro com sua dança, seu estilo de cantar, suas parcerias e apresentações com diversos artistas nacionais. Elis Regina, por exemplo, deve toda sua movimentação de palco (e braços) às “dicas” de Lennie. Daí para criar um grupo que levasse para o palco a ginga brasileira com a disciplina dos ensaios da Broadway (local de onde veio Dale) foi um pulo.

 

Elis, uma das fãs-aprendizes de Lennie
Elis, uma das fãs-aprendizes de Lennie

 

O Dzi Croquettes era formado por 13 homens fortes, peludos e másculos que se vestiam como damas de cabaré,  usavam maquiagens pra lá de criativas,  tinham a leveza de uma bailarina russa e o swing do povo brasileiro. O Dzi levava para os palcos coreografias arrasadoras, com uma estética visual difícil de se encontrar até hoje. Salvo os shows geniais de Ney Matogrosso, um dos fãs de carteirinha dos Croquettes e altamente influenciado pelo o estilo do grupo , tanto na época dos Secos e Molhados quanto em sua carreira solo.

 

Secos e Molhados, qualquer semelhança com o Dzi não é mera coincidência
Secos e Molhados, qualquer semelhança com o Dzi não é mera coincidência

 

As músicas também eram um caso à parte nos shows. Não importava a língua ou estilo. Em inglês, português ou francês, se samba, bolero ou soul, o grupo sempre mostrava a mesma técnica e preparo físico para todos os atos dos espetáculos. Originalidade, ousadia, liberdade criativa e inventividade são só algumas palavras para descrever o trabalho do Dzi Croquettes. Essa família, como gostavam de ser chamados, elevou o fazer artístico brasileiro a um alto patamar de profissionalismo.

 

Não existia esse ou aquele estilo para o Dzi, existia a Arte.
Não existia esse ou aquele estilo para o Dzi, existia a Arte.

 

Do Brasil para Paris foi outro pulo, desta vez apadrinhado por Liza Minnelli, que depois de assistir um show do grupo no Brasil, se apaixonou completamente por aqueles 13 homens “talentosérrimos”. Como ela  disse no documentário realizado por Tatiana Issa e Raphael Alvarez ( Dzi Croquettes – 2009) : “I can’t describe in one Word”.   A temporada na Cidade Luz foi um sucesso, com direito a novos fãs como Mick Jagger, Josefine Backer e Jeane Moreau só pra citar alguns.

 

Liza Minnelli, o passaporte para a temporada internacional do Dzi Croquettes
Liza Minnelli, o passaporte para a temporada internacional do Dzi Croquettes

 

A volta ao Brasil foi na verdade uma reviravolta e a AIDS, algumas diferenças e o destino encerraram a jornada de um dos mais impactantes grupos brasileiros. Mas ficou a memória de um dos momentos mais vigorosos e criativos da cultura brasileira. Uma fonte inesgotável para todo o artista que busca transcender os limites da arte, da técnica, da irreverência e dos conceitos pré-estabelecidos. Como eles diziam : “Não somos homens, não somos mulheres. Somos gente como vocês.”  Ou seja, eles levavam para a arte, para o palco e para a vida os dois lados de tudo.Se você quiser conhecer a fundo o Dzy Croquettes é só assistir o documentário, que está disponível no Youtube. Aliás vale à pena e muito conferir essa homenagem emocionante de Tatiana Issa ( filha do coreógrafo Américo Issa ) e Raphael Alvarez.

 

Dzi Croquettes - O documententátio
Dzi Croquettes – O documententário

 

Aqui no Link Sonoro você confere um trecho do espetáculo em que o Dzi dá a sua cara para o soul de James Brown.

Até a próxima! 😀

 

 

 

 

 

 

 

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