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Chico Buarque – Caravanas

(Ouça a íntegra do programa aqui)

 

 

Este ano o cenário da música popular brasileira recebeu de braços abertos o 38º álbum de Chico Buarque, que não lançava nada novo desde Chico de 2011. Intitulado Caravanas o álbum causou um verdadeiro burburinho pelo país afora. Uns reclamavam que a primeira faixa do disco, Tua Cantiga, era uma composição machista, outros davam pulos de alegria com a nova leva de composições do moço e a oportunidade de vê-lo ao vivo na turnê que começa em dezembro e vai rodar pelo país. Seja qual for o motivo, a verdade é que uma novidade de Chico Buarque movimenta a cena musical, afinal ele é sem dúvida um dos grandes poetas da MPB.

 

Caravanas

 

Caravanas, lançado pela gravadora Biscoito Fino, traz um Chico envolto em blues, jazz, violões e, claro, aos arranjos altamente elaborados de Luiz Claúdio Ramos, afinal os projetos de Chico pedem um elevado nível de sofisticação musical. Isso se percebe na sutileza com a qual os instrumentos são tocados, a forma pontual com que cada voz de apoio é colocada nas canções e como todos os estilos musicais presentes no álbum são conduzido pela banda. Chico Buarque tem um jeito muito particular não só de cantar, mas também de compor e interpretar suas músicas, o que nos faz reconhecer uma obra sua nos primeiros acordes. E assim é Caravanas, um disco que traz o Chico que está gravado na memória afetiva de todos nós.

 

O Chico de todos nós

 

Em seu novo álbum, Chico abre espaço para a nova geração da sua família e também da música nacional. Estão presentes em Caravanas os netos Chico Brown em MassarandupióClara Buarque em Dueto – faixa gravada em 1980 por Nara Leão – e o rapper Rafael Mike, integrante do Dream Team do Passinho, em As Caravanas, faixa que encerra o álbum. Essas participações pontuais contribuem com um frescor para o trabalho e mostra um Chico antenado e sempre aberto ao novo.

 

Chico Buarque e Rafael Mike

Como diz o Doutor em Literatura Comparada e especialista na obra de Chico Buarque, Roniere Menezes, “Chico é um pensador do Brasil”. E com toda razão, o moço sempre teve seus olhos azuis, e sua mente claro, focados nos acontecimentos e história do país, sem contar o profundo conhecimento da língua portuguesa,  que dá a sua obra uma riqueza ainda maior.

 

Roniere Menezes, Doutor em Literatura Comparada

 

Mas voltando a parabólica de Chico para os eventos que acontecem no país, a obra do músico fala por si só. Desde o início de sua carreira ele tecia suas críticas e opiniões sobre nosso cenário sociopolítico sem muito medo, mas com muita elegância e coerência. E isso não só nas músicas como também em peças teatrais e livros. E quando a censura da época da ditadura literalmente pegou pesado, principalmente na década de 1970 com o sucesso de Apesar de Você, ele criou Julinho da Adelaide, pseudônimo para driblar os rigorosos censores da época.

 

Chico e diversos artistas na luta contra a repressão

 

Mas além da sua veia política, Chico também é um apaixonado pelo futebol e pelas mulheres, essas últimas, inclusive, ganharam, e continuam ganhando do compositor verdadeiras declarações de amor ao criar letras que desbravam com sensibilidade a alma feminina como poucos fazem na MPB.

 

Chico e Bob Marley em uma das tradicionais peladas do moço

 

E é esse Chico Buarque múltiplo que encontramos em Caravanas. Aquele que se declara para a amante em Tua Cantiga, o que compõe um Blues Para Bia, a moça lésbica pelo qual ele se encanta, aquele que ama o futebol mas sente a passagem do tempo, ou o cronista que possui um olhar poético sobre a invasão dos jovens das comunidades e morros na praias da zona sul do Rio. Todos os Chicos das últimas décadas estão presentes em Caravanas e talvez por isso este álbum surge envolto a polêmicas e paixões. Aqui fica uma dica, se você ainda não conferiu este novo trabalho de Chico Buarque vale a pena fazer uma audição calma e criteriosa, para não deixar escapar nenhum detalhe poético ou musical. Caravanas está disponível em diversas plataformas de streaming e para ficar por dentro da obra do cantor e também de sua agenda é só acessar sua página no Facebook, facebook.com/ChicoBuarque, ou seu site chicobuarque.com.br.

Até a próxima! 😀

 

 

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Liam Gallagher – As You Were

(Ouça a íntegra do programa aqui)

 

 

Quando o Oasis encerrou seus trabalhos em 2009, uma série de fãs se sentiram órfãos, afinal uma das bandas mais influentes do britpop deixava uma carreira com hits inesquecíveis e uma discografia que vendeu milhões de cópias em todo o mundo. Passado o tempo os irmãos Gallagher buscaram outros ares e apresentaram ao mundo novos trabalhos. Liam, por exemplo, formou ao lado de alguns membros remanescentes da banda o Beady Eye, que soltou dois álbuns que dividiram a crítica, mas alcançaram uma certa repercussão. Depois desta empreitada o moço se dedicou a sua marca de roupas e a sua conta no Twitter, onde colocava sem medo suas ideias.

 

Liam Gallagher

 

Este mês Liam Gallagher, para surpresa e alegria de muita gente, lançou seu primeiro álbum solo As You Were, trabalho que já vinha sendo divulgado pelo moço nas suas redes sociais e que traz também seu lado compositor que, mesmo não sendo tão vigoroso quanto do seu irmão Noel, tem seus bons momentos e parcerias que ajudam Liam a dar um corpo maior para suas letras.

 

As You Were

 

As You Were traz uma sequência bem amarrada em seu repertório, onde Liam nitidamente mostra que não está para brincadeira, já de cara solta faixas com potencial para serem hits na tentativa de conquistar o ouvinte logo na primeira audição do álbum. Além disso, o disco traz uma equilibrada divisão entre as faixas, que variam entre rocks e baladas sem causar nenhum impacto gritante em nossos ouvidos. Em sua estreia solo Liam mostra que continua um artista contundente, mas a maturidade dos seus 45 anos lhe deram uma boa dose de serenidade e segurança para desenvolver um projeto que poderia levar muitas críticas e comparações.

 

Aos 4.5 Liam mostra a maturidade necessária para seu novo começo

 

Em As You Were Liam se uniu ao produtor Greg Kurstin, que tem na bagagem trabalhos com Adele e Foo Fighters, com este último em Concrete And Gold, o mais recente e aclamado álbum de Dave Grohl e companhia. No comando do estúdio, em parceria nas letras ou tocando, Greg foi o parceiro ideal para Liam Gallagher, que deu os contornos certos para os arranjos, pitadas generosas de criatividade nas letras e a cama perfeita para a voz de Gallangher. Que aliás, continua potente e vigorosa, sem contar a interpretação forte e carismática do rapaz.

 

Greg Kurstin

 

As You Were tem uma sonoridade que nos remete ao britpop dos anos 1990, mas traz algumas novidades como por exemplo a opção de Liam por dar valor aos violões que dão um clima acústico ao álbum mas sem, claro, deixar de lado as guitarras que por vezes surgem melódicas e por outras fortes e rasgadas numa pegada rock’n’roll que encaixa perfeitamente com o estilo de Gallagher.

 

Liam continua com sua interpretação vigorosa e potente

 

As referências de Liam Gallagher também estão presentes em algumas letras de As You Were, como em citações do tipo “She’s so purple haze..” uma homenagem a Purple Haze de Jimi Hendrix ou “Angels, gimme shelter..” clara alusão a Gimme Shelter do Rolling Stones. Isso sem falar naquele ar Beatles que a gente pode perceber em algumas faixas.

 

Jimi Hendrix, uma das referências de Liam

 

As You Were é um bom começo na carreira solo de Liam Gallagher e vale à pena ser escutado na íntegra.  O álbum está disponível em diversas plataformas digitais e se você quiser conferir mais do trabalho do moço é só acessar liamgallangher.com está tudo lá rede sociais, agenda, fotos, vídeos e muito mais.

Até a próxima! 😀

 

 

 

The Stones In The Park (1969)

(Ouça a íntegra do programa aqui)

 

 

No dia 05 de julho de 1969, dois dias após a morte Brian Jones guitarrista do Rolling Stones, a banda fez um mega concerto no Hyde Park em Londres para um público de mais ou menos 500 mil pessoas. Naquela ocasião quem esperava uma apresentação com ares tristonhos, pode conferir um show com a energia característica dos Stones e a estreia do guitarrista Mick Taylor.

 

The Stones In The Park (1969)
The Stones In The Park (1969)

 

Mick Jagger, mesmo com a emoção à flor da pele, não deixou de lado a oportunidade de homenagear Jones e leu o poema Adonais do poeta inglês do século 19 Percy Shelley feito em homenagem ao também poeta John Keats. E aqui vale um parênteses : Shelley, assim como Brian Jones, morreu afogado. O primeiro no mar italiano, o segundo na piscina da sua casa na Inglaterra. Coincidência ou não, foi com este texto que Jagger abriu um dos shows mais impactantes da história do Rolling Stones, com direito a milhares de borboletas soltas no ar.

 

Percy Shelley, o poeta escolhido por Mick
Percy Shelley, o poeta escolhido por Mick

 

Depois da justa homenagem ao companheiro de banda, o Rolling Stones deu início a uma sequência de rocks, baladas e blues que levaram meio milhão de pessoas a loucura, mesmo com um som de baixa qualidade. O repertório do evento, como Keith Richards gosta de se referir ao show, trazia em seu setlist Jumpin’ Jack Flash, I’m free, Love In Vain, Street Fighting Man, (I Can’t Get No) Satisfaction e outros hits dos Stones.

 

Um show só de hits
Um show só de hits

 

O show e cenas de bastidores foram gravados e o público ganhou um registro cheio de depoimentos de membros do grupo, imagens do burburinho do camarim, o trajeto feito por cada um dos músicos até ao Hyde Park e entrevistas com os “rapazes” do Rolling Stones. São vários momentos bem bacanas, como quando Mick Jagger explica a diferença entre os Beatles e os Stones. Segundo Jagger os 4 garotos de Liverpool eram bons em estúdio mas não fizeram muitos shows, nem no auge da carreira. Já o Rolling Stones é um grupo que gosta dos palcos e do calor da plateia. Já em outro momento o mesmo Mick convida o público para ouvir um pouco de “samba” ao chamar o grupo de percussão que iria acompanhá-los em Sympathy for The Devil. E todo mundo, claro, delirou!

 

Momento "samba"
Momento “samba”

 

O show no Hyde Park naquele verão de 1969 foi um momento marcante na carreira dos Stones. Mesmo com uma baixa inesperada em seu elenco logo no primeiro espetáculo, após dois anos longe dos palcos, o Rolling Stones conseguiu sacudir a poeira e recomeçar sua trajetória. Se você ainda não assistiu Stones In The Park, vale uma pesquisa rápida na internet, com certeza esse foi um daqueles shows que entraram para a história do rock.

Aqui no Link Sonoro a gente deixa para você fica com um gostinho de The Stones In the Park.

Até a próxima! 😀

 

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