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Um bate-papo alto astral com Mateo Piracés-Ugarte sobre o novo álbum do Francisco,El Hombre

(Ouça a íntegra do programa aqui)

 

 

A banda Francisco,El Hombre lançou recentemente seu novo álbum. Intitulado Rasgacabeza, o disco traz a intensidade que a banda tem nos palcos para suas gravações e o resultado foi um trabalho com uma pegada mais freak e punk-rock, sem deixar de lado as baladas – sempre bem construídas da banda – e a diversidade sonoro e poética características do grupo.

 

Francisco, El Hombre

De passagem por Belo Horizonte com a turnê de Rasgacabeza, nós aproveitamos para bater um papo com Mateo Piracés-Ugarte e saber um pouco mais sobre o novo projeto do Francisco,El Hombre.

O grupo faz única apresentação nesta sexta, dia 24 de maio, no Distrital em Belo Horizonte. Os ingressos estão à venda no site www.sympla.com.br. O Distrital fica na R. Opala, s/n bairro Cruzeiro. Mais informações você encontra no site da sympla e na página facebook.com/ODistrital.

Até a próxima!

 

 

Dzi Croquettes – “As Internacionais”

(Ouça a íntegra do programa aqui)

 

 

A arte, assim como tudo no mundo, é algo que não conseguimos definir em uma só palavra, um só gesto, uma só nota ou uma só cor. Uma palavra pode ter um efeito arrasador ou delicado, nossos movimentos podem ser duros ou flexíveis, a música pode ser densa ou suave e a cor pode se tornar várias com a influência da luz. Nós também somos assim, meio macho – meio fêmea, meio anjo – meio demônio, meio sentimental – meio racional. Resumindo : nada é uno por si só e a dualidade é uma lei que permeia toda ciência, arte e filosofia.

 

Tudo tem seus dois lado...(tela de Jorge Jucá)
Tudo tem seus dois lado…(tela de Jorge Jucá)

 

Você deve estar se perguntando porque começar um texto com os dois lados de tudo. Bom, para falar de Dzi Croquettes não precisa de uma data ou evento especial, afinal só o fato de mudar o “fazer artístico” no Brasil já é um motivo para lembrar destes rapazes a qualquer hora. Já a dualidade foi o carro-chefe, a marca registrada destes 13 artistas multifacetados.

 

Dzi Croquettes
Dzi Croquettes

 

Na época em que nasceu o Dzi Croquettes, o Brasil estava em meio a um dos momentos mais rigorosos da ditadura militar. A mão da censura pairava sobre toda e qualquer manifestação artística, afinal a arte – além dos embates violentos entre povo e militares nas ruas do país –  era uma forma de enfrentar aquele regime que foi um dos maiores vilões do país que queria de volta a sua liberdade de ser e pensar. O dançarino e coreógrafo nova-iorquino Lennie Dale já estava sacudindo os alicerces do espetáculo brasileiro com sua dança, seu estilo de cantar, suas parcerias e apresentações com diversos artistas nacionais. Elis Regina, por exemplo, deve toda sua movimentação de palco (e braços) às “dicas” de Lennie. Daí para criar um grupo que levasse para o palco a ginga brasileira com a disciplina dos ensaios da Broadway (local de onde veio Dale) foi um pulo.

 

Elis, uma das fãs-aprendizes de Lennie
Elis, uma das fãs-aprendizes de Lennie

 

O Dzi Croquettes era formado por 13 homens fortes, peludos e másculos que se vestiam como damas de cabaré,  usavam maquiagens pra lá de criativas,  tinham a leveza de uma bailarina russa e o swing do povo brasileiro. O Dzi levava para os palcos coreografias arrasadoras, com uma estética visual difícil de se encontrar até hoje. Salvo os shows geniais de Ney Matogrosso, um dos fãs de carteirinha dos Croquettes e altamente influenciado pelo o estilo do grupo , tanto na época dos Secos e Molhados quanto em sua carreira solo.

 

Secos e Molhados, qualquer semelhança com o Dzi não é mera coincidência
Secos e Molhados, qualquer semelhança com o Dzi não é mera coincidência

 

As músicas também eram um caso à parte nos shows. Não importava a língua ou estilo. Em inglês, português ou francês, se samba, bolero ou soul, o grupo sempre mostrava a mesma técnica e preparo físico para todos os atos dos espetáculos. Originalidade, ousadia, liberdade criativa e inventividade são só algumas palavras para descrever o trabalho do Dzi Croquettes. Essa família, como gostavam de ser chamados, elevou o fazer artístico brasileiro a um alto patamar de profissionalismo.

 

Não existia esse ou aquele estilo para o Dzi, existia a Arte.
Não existia esse ou aquele estilo para o Dzi, existia a Arte.

 

Do Brasil para Paris foi outro pulo, desta vez apadrinhado por Liza Minnelli, que depois de assistir um show do grupo no Brasil, se apaixonou completamente por aqueles 13 homens “talentosérrimos”. Como ela  disse no documentário realizado por Tatiana Issa e Raphael Alvarez ( Dzi Croquettes – 2009) : “I can’t describe in one Word”.   A temporada na Cidade Luz foi um sucesso, com direito a novos fãs como Mick Jagger, Josefine Backer e Jeane Moreau só pra citar alguns.

 

Liza Minnelli, o passaporte para a temporada internacional do Dzi Croquettes
Liza Minnelli, o passaporte para a temporada internacional do Dzi Croquettes

 

A volta ao Brasil foi na verdade uma reviravolta e a AIDS, algumas diferenças e o destino encerraram a jornada de um dos mais impactantes grupos brasileiros. Mas ficou a memória de um dos momentos mais vigorosos e criativos da cultura brasileira. Uma fonte inesgotável para todo o artista que busca transcender os limites da arte, da técnica, da irreverência e dos conceitos pré-estabelecidos. Como eles diziam : “Não somos homens, não somos mulheres. Somos gente como vocês.”  Ou seja, eles levavam para a arte, para o palco e para a vida os dois lados de tudo.Se você quiser conhecer a fundo o Dzy Croquettes é só assistir o documentário, que está disponível no Youtube. Aliás vale à pena e muito conferir essa homenagem emocionante de Tatiana Issa ( filha do coreógrafo Américo Issa ) e Raphael Alvarez.

 

Dzi Croquettes - O documententátio
Dzi Croquettes – O documententário

 

Aqui no Link Sonoro você confere um trecho do espetáculo em que o Dzi dá a sua cara para o soul de James Brown.

Até a próxima! 😀

 

 

 

 

 

 

 

You’re The Man, um dos álbuns mais engajados de Marvin Gaye finalmente é lançado

(Ouça a íntegra do programa aqui)

 

 

O ano era 1972 e Marvin Gaye estava no ápice de sua carreira. Seu álbum What’s Going On, lançado no ano anterior, refletia uma tendência que estava crescendo na produção da soul music, ou seja, canções que abordavam temas não muito queridos da ala conservadora dos EUA como o racismo, a Guerra do Vietnã, a pobreza e a  hipocrisia que envolvia todo o cenário político do então presidente Richard Nixon, que anos depois se viu obrigado a renunciar ao cargo em função do famoso caso Watergate.

 

Marvin Gaye todo feliz no auge da sua criatividade

 

Com a criatividade a mil Marvin Gaye se sentia motivado a colocar todas as suas ideias em canções, fosse em trilhas sonoras para os filmes da geração Blaxploitation, movimento cinematográfico da década de 1970 que trazia produções protagonizadas e realizadas por atores e diretores negros, ou em álbuns com teor engajado e ativista. Foi aí que em 1972 o cantor gravou You’re The Man, disco que trazia o canto e a interpretação únicos de Marvin e letras que seguiam a risca suas motivações daquele momento. E é aí que estava o problema, as ideias de Gaye não iam de encontro as do todo poderoso Berry Gordy fundador da Motown Records, gravadora que faturou, e muito, com os trabalhos de Marvin Gaye e de outros artistas negros daquela geração como The Supremes, The Jackson Five, The Temptation e tantos outros que levaram a produção da soul music a outro patamar.

 

You’re The Man

 

Já na capa de You’re The Man, Marvin Gaye nos encara com seu olhar penetrante e questionador, como se quisesse respostas para aquele momento tão conturbado nos EUA e no mundo. O single You’re The Man foi lançado com certo receio pela direção da Motown, e aqui leia-se o já citado Berry Gordy que tinha posicionamento político mais próximo do então candidato a reeleição Richard Nixon. O single não alcançou o sucesso de What’s Going On e talvez por isso e por outros fatores, foi engavetado e mesmo depois da morte de Marvin em 1984, seguiu sem ser lançado. Aliás aqui vale um parênteses, o músico foi baleado pelo próprio pai, o pastor Marvin Pentz Gaye Sr, com quem tinha uma relação conturbada, o que, claro, não justifica seu assassinato.

 

Berry e Marvin, duas mentes bem diferentes

 

Neste 2019, em que Marvin Gaye completaria 80 anos e 47 anos após You’re The Man ter sido gravado, o álbum finalmente saiu dos porões do esquecimento e ganhou seu lugar ao sol nas prateleiras e plataformas de streaming disponíveis na web.

You’re The Man saiu praticamente todo em sua versão original, foram somente três remixagens feitas por Salaam Remi produtor badalado que participou de projetos de artistas como The Fugees, Jurassic 5, Nelly Furtado e Amy Winehouse. My Last Chance, Symphony e I’d Give My Life For You foram as canções que levaram o toque de Salaam. Mesmo que as composições e gravações de Gaye não precisem de muitos retoques, você sabe como é o mercado da música e sua queda por cifrões…mesmo que se tenha um trabalho tão bem acabado como You’re The Man, se algo será lançado, ou relançado, por que não linkar com algum nome conhecido da indústria fonográfica para criar um gancho para alavancar vendas, likes e plays?

 

Salaam Remi

 

Por falar em faixas, o repertório de You’re The Man merece atenção especial. Com seus falsetes e swing inigualáveis Marvin Gaye refletia sobre seu país e convidava o público a fazer o mesmo com frases de impacto como “Pense nos erros que você comete / Eu acredito que a América está em jogo…”. Marvin fazia parte daquele grupo de artistas, que existem e resistem até hoje, que usam a arte como um espaço para reflexão, denúncia e debate, tudo sem deixar de lado temas presentes há centenas de anos em várias produções artísticas como o amor e as relações humanas. Estão lá, entre outras, Try It, You’ll Like It, Where Are We Going? e We Can Make It Baby, esta última uma clara alusão aos direitos da mulheres. Sim, pode até parecer que não mas Marvin Gaye, lá em 1972, queria contribuir para que as mulheres se tornassem, no vocabulário atual, mais empoderadas.

 

Marvin Gaye

 

You’re The Man é uma álbum necessário onde Marvin Gaye debate uma série de assuntos importantes para a sociedade dos EUA e do mundo e acredite, o cantor parecia prever que no futuro o mundo poderia dar largos passos para trás no que diz respeito a conquistas de uma série de direitos adquiridos ao longo das últimas décadas pelos negros, pobres, gays, mulheres e populações de países que ainda lutam para se verem livres de regimes totalitários  e opressores.

 

Um cara reflexivo

 

Se você ainda não ouviu You’re The Man taí uma boa oportunidade de conhecer o lado engajado e ativista de Marvin Gaye, além de conferir um álbum que traz uma produção impecável e um artista que, como já falamos, estava no auge da sua produção artística. You’re The Man está disponível em diversas plataformas digitais para audição e você pode também navegar na página do artista no Facebook, fomentada pela Classic Motown, e que traz músicas, fotos e vídeos de Marvin.

Até a próxima! 😀

 

 

 

Uma conversa franca, bem-humorada e cheia de histórias com Elza Soares

(Ouça a íntegra do programa aqui)

 

 

Elza Soares é a cara e a voz do nosso país e ela tem total propriedade para cantar, com doses generosas de força e poesia, sobre  os temas que algumas vezes são jogados para debaixo do tapete. Prova disso é o lançamento do álbum Deus É Mulher, trabalho repleto de inéditas em que Elza não se cala, nem baixa a guarda para nenhum tipo de discurso que esteja imbuído de ódio, pelo contrário – como em tudo em sua vida – encara de frente e solta verbo com a propriedade de quem já viveu todo o tipo de preconceito.

 

Para Elza Deus é Mulher

 

Elza irá se apresentar em BH no Sesc Palladium com a turnê de Deus é Mulher e nós aproveitamos para bater um papo com a moça sobre seu novo trabalho, sua biografia feita em parceria com Zeca Camargo, o Brasil atual, o preconceito e violência contra a mulher e o negro e o título que a cantora ganhou de Cidadã Honorária de Belo Horizonte.

Show: Deus é Mulher
Data: 11/05/2019 (sábado)
Local: Sesc Palladium BH
Horário : 21:30H
Endereço : Rua Rio de Janeiro número 1046, centro
Ingressos: ingressorapido.com.br 

Até a próxima! 😀

 

 

Orgone solta Reasons, álbum cheio de swing, funk e soul

(Ouça a íntegra do programa aqui)

 

Orgone solta Reasons, álbum cheio de swing, funk e soul – Podcast

 

Orgone é uma das bandas mais eletrizantes da nova geração de grupos que têm no funk,  soul, disco e R&B o norte para suas criações. Guiados pelo vocal poderoso e uma presença cheia de energia da cantora Adryon de León, o Orgone lançou este ano o décimo álbum de sua carreira, Reasons, que traz a pegada com muito swing destes californianos cheios de estilo.

 

Reasons

 

Mas vale voltar um pouco no tempo para lembrarmos como surgiu o Orgone. Criado há mais ou menos 20 anos pelo guitarrista Sérgio Rios e pelo tecladista Dan Hastie, essa dupla usou a palavra Orgone, que significa “Uma Força Vital Universal”, para dar nome a banda que iria trilhar um caminho pela música negra americana com maestria. Aliás o nome caiu como uma luva para esses rapazes que iriam usar a força da sua musicalidade para levar ao seu público um funk-soul sofisticado que não deixa nada a desejar para os grandes nomes da Tamla-Motown, famosa por suas produções e por seu casting de artista que incluia Marvin Gaye, The Jackson Five, The Supremes, Smokey Robson e tantos outros.

 

Cristal de Orgone : a “Força Vital”

 

A banda tem como âncoras seus fundadores, que ao longo dos anos tiveram a companhia de vários músicos. Mas foi em 2013 que eles resolveram fixar novos integrantes e chegaram para agregar mais swing ao Orgone o baixista Dale Jennings, o baterista Sam Halterman e a já citada cantora e compositora Adryon de León. Com esse núcleo fixo o Orgone lançou novos trabalhos, rodou o mundo e entrou em definitivo para aquela constelação de estrelas do funk e do soul.

 

Os integrantes que chegaram para ficar no Orgone

 

Voltando para 2019 e para Reasons, esse novo trabalho do Orgone é daqueles álbuns que tiram qualquer um do lugar. Com o olhar voltado para o final dos anos 1970, essa galera busca na memória afetiva de seus integrantes os ritmos e sonoridades que compõem o repertório de Reasons.

Reasons é um álbum gravado no melhor estilo analógico, caraterística que acompanha o Orgone desde o início da banda, o que confere às suas gravações uma vibe retrô e uma presença mais forte dos instrumentos, principalmente o baixo de Dale Jennings, famoso pelo seu groove. Por falar em instrumentos, duas das características mais marcantes dos músicos do Orgone é a habilidade no improviso e o virtuosismo. Nipe de metais bem arranjados, percurssão na medida certa, uma guitarra melódica e swingada, a presença de um teclado bem elaborado e a já mencionada grooveria que o baixo confere a cada faixa.

 

Uma galera californiana cheia de estilo

 

O repertório é daqueles que prende o ouvinte do início até o fim do álbum. Bem divido, ele mescla faixas com levadas mais suaves com aquelas que sacodem o mais tranquilo dos mortais, tudo isso sem perder a coerência e a proposta inicial do disco. Já as letras foram tiradas de um diário de couro marrom escuro da vocalista Adryon León e passeiam por temas  como relacionamentos, amor próprio e política. Sim, porque para León não há como não pensar sobre a eleição de 2016 que levou Donald Trump ao poder no EUA. E é justamente nos tempos conturbados que a moça procura por significados e poder dentro de si para fazer da música um canal de debate e reflexão.

 

Adryon León

 

Se você ainda não conferiu Reasons do Orgone, taí uma boa oportunidade. O álbum está disponível em diversas plataformas de streaming e se quiser acompanhar de perto o trabalho do grupo é só acessar orgonespace.com .

Até a próxima! 😀

 

 

Djavan leva para a turnê Vesúvio a alegria de estar há 40 anos fazendo da MPB sua paixão

(Ouça a íntegra do programa aqui)

 

Djavan leva para a turnê Vesúvio a alegria de estar há 40 anos fazendo da MPB sua paixão – Podcast

 

Djavan está em turnê pelo país com seu mais recente trabalho, o álbum Vesúvio, lançado no final de 2018 e o artista passou por Belo Horizonte no último sábado, 6 de abril, com um show que não só levantou a plateia ao delírio, como também mostrou porque sua música faz parte da memória afetiva de grande parte do público brasileiro.

 

Vesúvio

 

Na turnê de Vesúvio, Djavan mostra que está com a carga toda e desde a primeira música o moço dança, interage de forma calorosa com a plateia e se movimenta por todos os cantos do palco. O violonista Djavan também está lá e mostra que seu estilo único de tocar é uma das habilidades que o músico tem de mais latente. Mas nesta turnê o moço queria mesmo era passar, através da música e dança, a alegria de ter na bagagem mais de 40 anos de dedicação apaixonada pela música brasileira.

 

Djavan

 

A banda que acompanha Djavan pelos palcos do país é um show a parte. Formada por Felipe Alves na bateria, Arthur de Palla no baixo, Torcuato Mariano guitarra, Paulo Calasans no piano elétrico e Renato Fonseca nos teclados, essa turma vibra na mesma energia contagiante do cantor. Músicos tarimbados, esses rapazes têm a difícil missão de executar os acordes sofisticados e elaborados das composições de Djavan.

 

Djavan e sua banda pra lá de afinada

 

Já o repertório do show levou para um público, que lotou o KM de Vantagens Hall, faixas do novo trabalho e canções que, Djavan bem sabe, não podem ficar de fora em suas apresentações. Samurai, Sina, Topázio, Seduzir, Acelerou e Cigano foram algumas composições do moço que levaram a plateia a se tornar um outro integrante banda, cantando junta cada verso destas canções.

 

Djavan ao vivo e inteiro na música

 

Em pouco mais de duas horas Djavan ofereceu para seu eclético público o que há de melhor na MPB e mostrou que é sim possível fazer música pop com cuidado e sofisticação, e ainda criar poesias delicadas e sensíveis que emocionam os mais diversos públicos.

Se você ainda não conhece Vesúvio e toda a obra de Djavan essa é uma boa oportunidade de conhecer a música e a história de um dos maiores representantes da nossa MPB, é só você acessar djavan.com.br . Boa viagem pelo universo sonoro de Djvan!

Até a próxima! 😀

 

 

 

Amazing Grace, um registro fiel do que havia de mais profundo na alma musical de Aretha Franklin

(Ouça a íntegra do programa aqui)

 

 

O ano era 1972 e Aretha Franklin já era a “Rainha do Soul”. O poder da sua voz e a força da sua interpretação haviam conquistado público, classe artística, mercado fonográfico e até a pessoa mais desligada dos eventos do planeta terra se rendia ao dom que Aretha tinha de fazer a música tomar todos os poros, os dela e os de quem a ouvia.

 

Em 1972 essa moça já era a Rainha do Soul

 

Mas antes de falarmos do álbum que será tema do Link Sonoro da vez, vale uma rápida passeada pelo histórico musical da moça. Aretha era filha do Reverendo Clarence L. Franklin , famoso por sua voz e por isso era chamado de “O homem que tinha uma voz de milhão de dólares”. Como o pai viajava muito pelo país em suas excursões a cantora o acompanhava e, neste período, já impressionava a todos por onde passava. Outro fator que influenciou a formação musical da moça foi o fato da casa onde morava com a família ser um reduto para todos os grandes artistas gospel, com isso ela recebia, ali na sua sala, músicos e cantores cheios de ideias sonoras que despertavam ainda mais a veia musical da jovem. Para Aretha a música era a sua missão de vida e ela levou essa missão tão a sério que se tornou uma das vozes mais impactantes da música, se não a mais impactante. E não pense que era a música por si só, Aretha era uma mulher engajada e temas como racismo e direitos da mulher já estavam em sua pauta e canções. Ou seja, para ela a arte era uma oportunidade de resistência e conexão com sua espiritualidade.

 

Aretha e seu pai, o Reverendo Clarence L. Franklin

 

Dito isso, vamos a 1972. Naquele ano Aretha resolveu voltar a suas origens e fazer duas apresentações na Igreja Batista de New Temple Missionary, em Los Angeles. Esse projeto incluía a filmagem dos shows, que seria lançado no formato de um documentário e trazia a direção Sydney Pollack, responsável por filmes como Tootsie, com Dustin Hoffman, e Entre Dois Amores com Meryl Streep e Robert Redford. Além de Pollack, estava também na equipe o produtor Alan Elliott, além da presença do Reverendo James Cleveland ganhador de vários Grammy’s por seu gospel com influência do jazz e da música pop. Cleveland não só contribuiu com seu piano e voz como colocou no palco com Aretha o seu Southern California Community Choir, um coral arrasador que ele regia com maestria. Para fechar esse super grupo Clarence L. Franklin, pai de Aretha, responsável por introduzir a filha no universo do gospel, do jazz, R&B e tudo que havia de mais representativo na música afro-americana. Como a gente pode perceber Amazing Grace foi idealizado para ser um registro fiel do que havia de mais profundo na alma musical de Aretha Franklin.

 

Amazing Grace

 

Na plateia da Igreja Batista New Temple Missionary, que incluia os Stones Mick Jagger e Charlie Watts, o clima era um misto de alegria, êxtase e impacto  que fazia com que o público se entregasse totalmente e podemos dizer, sem meias palavras, que a igreja ficou pequena para quem estava lá. Ficar sentado era quase impossível e não tinha como não se deixar levar pela voz, pelos arranjos e pelo repertório que incluía clássicos da música gospel como Amazing Grace, Climbing Higher Mountains, How I Got Over, Wholy Holy música que Marvin Gaye – um dos ídolos de Aretha – registrou no disco What’s Going On 1971 e um medley que trazia, entre outras canções, You’ve Got a Friend de James Taylor.

 

Uma plateia que foi ao delírio na gravação de Amazing Grace

 

Mas nem tudo foram flores no registro de Amazing Grace. Apesar de contar com um diretor do calibre de Sydney Pollack, esse mesmo cineasta tarimbado e ganhador de vários prêmios, cometeu um erro quase imperdoável, ainda mais se tratando de um projeto como esse. O som não foi sincronizado durante a gravação do filme e, claro, gerou sérios problemas técnicos. Isso foi um banho de água fria no projeto, que também intencionava levar Aretha para a carreira cinematográfica.

 

Sidney Pollack

 

O projeto foi engavetado e não pense que foi por um curto período de tempo. Décadas se passaram, mas precisamente 47 anos, sem que o público pudesse conferir uma das apresentações mais intensas de Aretha Franklin. Os motivos foram vários. Os desentendimentos e a falta de preparo, técnico e emocional, da equipe, o temperamento, digamos, um pouco complicado de Aretha, a disputa pelos direitos autorais da obra e tantos outros que fizeram com que os rolos de gravação de Amazing Grace fossem arquivados na gaveta de Pollack.

Anos e anos se passaram e Alan Elliott teve acesso a todo esse material, pouco antes de Sydney Pollack falecer, e ele viu alí a grande chance de retornar esse projeto fundamental para a música. Mas Aretha não quis contribuir, afinal a saúde da Rainha do Soul estava abalada e aquele registro trazia memórias de tempos que ainda a emocionavam. Elliott se viu com uma pérola nas mãos mas sem poder fazer muita coisa.

 

Alan Elliott, o responsável por dar vida nova para Amazing Grace

 

Em agosto de 2018 Aretha Franklin deixou uma legião de órfãos da sua voz, da sua música e do seu talento. Alan Elliott novamente entrou em contato com a família da cantora e, em comum acordo, todos entenderam a importância deste registro para a memória de Aretha, do gospel, do soul, do jazz, do R&B e, principalmente das lutas que ela sempre travou, seja contra o racismo, a violência contra com a mulher ou pela garantia dos direitos que todo ser humano tem na sociedade em que vive.

 

Aretha e o filho caçula, depois de alguns entraves a família liberou Amazing Grace

 

Amazing Grace foi um sucesso gigantesco no Festival de Berlim, a repercussão na mídia foi pra lá de positiva e o trailer do documentário é de deixar qualquer um com o astral nas alturas. O filme foi lançado nos EUA mas, infelizmente, não tem previsão de chegar ao Brasil. Resta escutar o álbum várias e várias vezes e  torcer para que possamos conferir o documentário o quanto antes.

Se você quiser conferir mais sobre Amazing Grace ou revisitar a carreira da cantora é só acessar o arethafranklin.net, está tudo lá. Boa viagem pelo universo gospel de Aretha Franklin!

Até a próxima! 😀

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Um bate papo cheio de histórias e novidades com a cantora Liniker

(Ouça a íntegra do programa aqui)

 

Um bate papo cheio de histórias e novidades com a cantora Liniker – Podcast

 

Liniker e os Caramelows

 

Nós sempre falamos muito aqui no Link sobre o desafio de se lançar o 2o álbum para grande parte dos artistas, principalmente se o 1o ganhou uma grande repercussão. Público e mercado fonográfico ficam anciosos por uma nova levada de criações sonoras que seja, de preferência, tão impactante quanto seu antecessor.

E por falar em segundo álbum a cantora Liniker, e sua banda Caramelows, lançou este mês Goela Abaixo, segundo trabalho desta trupe que causou um verdadeiro alvoroço na cena musical com disco Remonta.

Liniker e os Caramelows já estão viajando pelo país com a turnê de Goela Abaixo e nós aproveitamos para conversar com Liniker sobre esse novo trabalho da banda.

Liniker e os Caramelows chegam a BH neste sábado, dia 30, para única apresentação no Sesc Palladium à partir das 21H. Ingresso no site ingressorapido.com.br e na bilheteria do teatro. O Sesc Palladium fica na rua Rio de Janeiro número 1046 centro. Mais informações sescmg.com.br.

Goela Abaixo está disponível para audição em diversas plataformas digitais e se você quiser conhecer mais do trabalho da Liniker e os Caramelows é só acessar linikereoscaramelows.com.br.

Até a próxima! 😉

 

 

 

Uma conversa cheia de samba e ativismo com Gustavo Caetano do Unidos do Samba Queixinho

(Ouça a íntegra do programa aqui)

 

 

Gustavo Caetano e Rodrigo Pederneiras

 

O carnaval chegou e com ele muitos blocos, desfiles, celebrações, dança e música, muita música! E Belo Horizonte tem se tornado uma das capitais mais movimentadas do país. O carnaval que pouco existia e que começou a surgir timidamente aqui e ali, hoje é referência e traz para a capital das alterosas milhões de pessoas e este ano promete bater recorde de público.

Um dos blocos que tem contribuído para que o carnaval de BH se torne cada vez melhor e mais organizado é o Unidos do Samba Queixinho que completa uma década este ano e promete um desfile inesquecível com uma bela homenagem ao Grupo Corpo.

Para sabermos mais sobre a história do Unidos do Samba do Queixinho, seus projetos e o carnaval de BH você confere um papo que tivemos com o idealizador e mestre de bateria do Queixinho, Gustavo Caetano.

10 Anos do Samba Queixinho – Desfile em homenagem ao Grupo Corpo
Data: domingo de carnaval, 3 de março
Horário: 14h30min
Local: av. Bandeirantes, próximo ao nº 1.701, no Mangabeiras, em Belo Horizonte-MG
Até a próxima! 😀

 

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