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You’re The Man, um dos álbuns mais engajados de Marvin Gaye finalmente é lançado

(Ouça a íntegra do programa aqui)

 

 

O ano era 1972 e Marvin Gaye estava no ápice de sua carreira. Seu álbum What’s Going On, lançado no ano anterior, refletia uma tendência que estava crescendo na produção da soul music, ou seja, canções que abordavam temas não muito queridos da ala conservadora dos EUA como o racismo, a Guerra do Vietnã, a pobreza e a  hipocrisia que envolvia todo o cenário político do então presidente Richard Nixon, que anos depois se viu obrigado a renunciar ao cargo em função do famoso caso Watergate.

 

Marvin Gaye todo feliz no auge da sua criatividade

 

Com a criatividade a mil Marvin Gaye se sentia motivado a colocar todas as suas ideias em canções, fosse em trilhas sonoras para os filmes da geração Blaxploitation, movimento cinematográfico da década de 1970 que trazia produções protagonizadas e realizadas por atores e diretores negros, ou em álbuns com teor engajado e ativista. Foi aí que em 1972 o cantor gravou You’re The Man, disco que trazia o canto e a interpretação únicos de Marvin e letras que seguiam a risca suas motivações daquele momento. E é aí que estava o problema, as ideias de Gaye não iam de encontro as do todo poderoso Berry Gordy fundador da Motown Records, gravadora que faturou, e muito, com os trabalhos de Marvin Gaye e de outros artistas negros daquela geração como The Supremes, The Jackson Five, The Temptation e tantos outros que levaram a produção da soul music a outro patamar.

 

You’re The Man

 

Já na capa de You’re The Man, Marvin Gaye nos encara com seu olhar penetrante e questionador, como se quisesse respostas para aquele momento tão conturbado nos EUA e no mundo. O single You’re The Man foi lançado com certo receio pela direção da Motown, e aqui leia-se o já citado Berry Gordy que tinha posicionamento político mais próximo do então candidato a reeleição Richard Nixon. O single não alcançou o sucesso de What’s Going On e talvez por isso e por outros fatores, foi engavetado e mesmo depois da morte de Marvin em 1984, seguiu sem ser lançado. Aliás aqui vale um parênteses, o músico foi baleado pelo próprio pai, o pastor Marvin Pentz Gaye Sr, com quem tinha uma relação conturbada, o que, claro, não justifica seu assassinato.

 

Berry e Marvin, duas mentes bem diferentes

 

Neste 2019, em que Marvin Gaye completaria 80 anos e 47 anos após You’re The Man ter sido gravado, o álbum finalmente saiu dos porões do esquecimento e ganhou seu lugar ao sol nas prateleiras e plataformas de streaming disponíveis na web.

You’re The Man saiu praticamente todo em sua versão original, foram somente três remixagens feitas por Salaam Remi produtor badalado que participou de projetos de artistas como The Fugees, Jurassic 5, Nelly Furtado e Amy Winehouse. My Last Chance, Symphony e I’d Give My Life For You foram as canções que levaram o toque de Salaam. Mesmo que as composições e gravações de Gaye não precisem de muitos retoques, você sabe como é o mercado da música e sua queda por cifrões…mesmo que se tenha um trabalho tão bem acabado como You’re The Man, se algo será lançado, ou relançado, por que não linkar com algum nome conhecido da indústria fonográfica para criar um gancho para alavancar vendas, likes e plays?

 

Salaam Remi

 

Por falar em faixas, o repertório de You’re The Man merece atenção especial. Com seus falsetes e swing inigualáveis Marvin Gaye refletia sobre seu país e convidava o público a fazer o mesmo com frases de impacto como “Pense nos erros que você comete / Eu acredito que a América está em jogo…”. Marvin fazia parte daquele grupo de artistas, que existem e resistem até hoje, que usam a arte como um espaço para reflexão, denúncia e debate, tudo sem deixar de lado temas presentes há centenas de anos em várias produções artísticas como o amor e as relações humanas. Estão lá, entre outras, Try It, You’ll Like It, Where Are We Going? e We Can Make It Baby, esta última uma clara alusão aos direitos da mulheres. Sim, pode até parecer que não mas Marvin Gaye, lá em 1972, queria contribuir para que as mulheres se tornassem, no vocabulário atual, mais empoderadas.

 

Marvin Gaye

 

You’re The Man é uma álbum necessário onde Marvin Gaye debate uma série de assuntos importantes para a sociedade dos EUA e do mundo e acredite, o cantor parecia prever que no futuro o mundo poderia dar largos passos para trás no que diz respeito a conquistas de uma série de direitos adquiridos ao longo das últimas décadas pelos negros, pobres, gays, mulheres e populações de países que ainda lutam para se verem livres de regimes totalitários  e opressores.

 

Um cara reflexivo

 

Se você ainda não ouviu You’re The Man taí uma boa oportunidade de conhecer o lado engajado e ativista de Marvin Gaye, além de conferir um álbum que traz uma produção impecável e um artista que, como já falamos, estava no auge da sua produção artística. You’re The Man está disponível em diversas plataformas digitais para audição e você pode também navegar na página do artista no Facebook, fomentada pela Classic Motown, e que traz músicas, fotos e vídeos de Marvin.

Até a próxima! 😀

 

 

 

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Uma conversa franca, bem-humorada e cheia de histórias com Elza Soares

(Ouça a íntegra do programa aqui)

 

 

Elza Soares é a cara e a voz do nosso país e ela tem total propriedade para cantar, com doses generosas de força e poesia, sobre  os temas que algumas vezes são jogados para debaixo do tapete. Prova disso é o lançamento do álbum Deus É Mulher, trabalho repleto de inéditas em que Elza não se cala, nem baixa a guarda para nenhum tipo de discurso que esteja imbuído de ódio, pelo contrário – como em tudo em sua vida – encara de frente e solta verbo com a propriedade de quem já viveu todo o tipo de preconceito.

 

Para Elza Deus é Mulher

 

Elza irá se apresentar em BH no Sesc Palladium com a turnê de Deus é Mulher e nós aproveitamos para bater um papo com a moça sobre seu novo trabalho, sua biografia feita em parceria com Zeca Camargo, o Brasil atual, o preconceito e violência contra a mulher e o negro e o título que a cantora ganhou de Cidadã Honorária de Belo Horizonte.

Show: Deus é Mulher
Data: 11/05/2019 (sábado)
Local: Sesc Palladium BH
Horário : 21:30H
Endereço : Rua Rio de Janeiro número 1046, centro
Ingressos: ingressorapido.com.br 

Até a próxima! 😀

 

 

Orgone solta Reasons, álbum cheio de swing, funk e soul

(Ouça a íntegra do programa aqui)

 

Orgone solta Reasons, álbum cheio de swing, funk e soul – Podcast

 

Orgone é uma das bandas mais eletrizantes da nova geração de grupos que têm no funk,  soul, disco e R&B o norte para suas criações. Guiados pelo vocal poderoso e uma presença cheia de energia da cantora Adryon de León, o Orgone lançou este ano o décimo álbum de sua carreira, Reasons, que traz a pegada com muito swing destes californianos cheios de estilo.

 

Reasons

 

Mas vale voltar um pouco no tempo para lembrarmos como surgiu o Orgone. Criado há mais ou menos 20 anos pelo guitarrista Sérgio Rios e pelo tecladista Dan Hastie, essa dupla usou a palavra Orgone, que significa “Uma Força Vital Universal”, para dar nome a banda que iria trilhar um caminho pela música negra americana com maestria. Aliás o nome caiu como uma luva para esses rapazes que iriam usar a força da sua musicalidade para levar ao seu público um funk-soul sofisticado que não deixa nada a desejar para os grandes nomes da Tamla-Motown, famosa por suas produções e por seu casting de artista que incluia Marvin Gaye, The Jackson Five, The Supremes, Smokey Robson e tantos outros.

 

Cristal de Orgone : a “Força Vital”

 

A banda tem como âncoras seus fundadores, que ao longo dos anos tiveram a companhia de vários músicos. Mas foi em 2013 que eles resolveram fixar novos integrantes e chegaram para agregar mais swing ao Orgone o baixista Dale Jennings, o baterista Sam Halterman e a já citada cantora e compositora Adryon de León. Com esse núcleo fixo o Orgone lançou novos trabalhos, rodou o mundo e entrou em definitivo para aquela constelação de estrelas do funk e do soul.

 

Os integrantes que chegaram para ficar no Orgone

 

Voltando para 2019 e para Reasons, esse novo trabalho do Orgone é daqueles álbuns que tiram qualquer um do lugar. Com o olhar voltado para o final dos anos 1970, essa galera busca na memória afetiva de seus integrantes os ritmos e sonoridades que compõem o repertório de Reasons.

Reasons é um álbum gravado no melhor estilo analógico, caraterística que acompanha o Orgone desde o início da banda, o que confere às suas gravações uma vibe retrô e uma presença mais forte dos instrumentos, principalmente o baixo de Dale Jennings, famoso pelo seu groove. Por falar em instrumentos, duas das características mais marcantes dos músicos do Orgone é a habilidade no improviso e o virtuosismo. Nipe de metais bem arranjados, percurssão na medida certa, uma guitarra melódica e swingada, a presença de um teclado bem elaborado e a já mencionada grooveria que o baixo confere a cada faixa.

 

Uma galera californiana cheia de estilo

 

O repertório é daqueles que prende o ouvinte do início até o fim do álbum. Bem divido, ele mescla faixas com levadas mais suaves com aquelas que sacodem o mais tranquilo dos mortais, tudo isso sem perder a coerência e a proposta inicial do disco. Já as letras foram tiradas de um diário de couro marrom escuro da vocalista Adryon León e passeiam por temas  como relacionamentos, amor próprio e política. Sim, porque para León não há como não pensar sobre a eleição de 2016 que levou Donald Trump ao poder no EUA. E é justamente nos tempos conturbados que a moça procura por significados e poder dentro de si para fazer da música um canal de debate e reflexão.

 

Adryon León

 

Se você ainda não conferiu Reasons do Orgone, taí uma boa oportunidade. O álbum está disponível em diversas plataformas de streaming e se quiser acompanhar de perto o trabalho do grupo é só acessar orgonespace.com .

Até a próxima! 😀

 

 

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