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Dzi Croquettes – “As Internacionais”

(Ouça a íntegra do programa aqui)

 

 

A arte, assim como tudo no mundo, é algo que não conseguimos definir em uma só palavra, um só gesto, uma só nota ou uma só cor. Uma palavra pode ter um efeito arrasador ou delicado, nossos movimentos podem ser duros ou flexíveis, a música pode ser densa ou suave e a cor pode se tornar várias com a influência da luz. Nós também somos assim, meio macho – meio fêmea, meio anjo – meio demônio, meio sentimental – meio racional. Resumindo : nada é uno por si só e a dualidade é uma lei que permeia toda ciência, arte e filosofia.

 

Tudo tem seus dois lado...(tela de Jorge Jucá)
Tudo tem seus dois lado…(tela de Jorge Jucá)

 

Você deve estar se perguntando porque começar um texto com os dois lados de tudo. Bom, para falar de Dzi Croquettes não precisa de uma data ou evento especial, afinal só o fato de mudar o “fazer artístico” no Brasil já é um motivo para lembrar destes rapazes a qualquer hora. Já a dualidade foi o carro-chefe, a marca registrada destes 13 artistas multifacetados.

 

Dzi Croquettes
Dzi Croquettes

 

Na época em que nasceu o Dzi Croquettes, o Brasil estava em meio a um dos momentos mais rigorosos da ditadura militar. A mão da censura pairava sobre toda e qualquer manifestação artística, afinal a arte – além dos embates violentos entre povo e militares nas ruas do país –  era uma forma de enfrentar aquele regime que foi um dos maiores vilões do país que queria de volta a sua liberdade de ser e pensar. O dançarino e coreógrafo nova-iorquino Lennie Dale já estava sacudindo os alicerces do espetáculo brasileiro com sua dança, seu estilo de cantar, suas parcerias e apresentações com diversos artistas nacionais. Elis Regina, por exemplo, deve toda sua movimentação de palco (e braços) às “dicas” de Lennie. Daí para criar um grupo que levasse para o palco a ginga brasileira com a disciplina dos ensaios da Broadway (local de onde veio Dale) foi um pulo.

 

Elis, uma das fãs-aprendizes de Lennie
Elis, uma das fãs-aprendizes de Lennie

 

O Dzi Croquettes era formado por 13 homens fortes, peludos e másculos que se vestiam como damas de cabaré,  usavam maquiagens pra lá de criativas,  tinham a leveza de uma bailarina russa e o swing do povo brasileiro. O Dzi levava para os palcos coreografias arrasadoras, com uma estética visual difícil de se encontrar até hoje. Salvo os shows geniais de Ney Matogrosso, um dos fãs de carteirinha dos Croquettes e altamente influenciado pelo o estilo do grupo , tanto na época dos Secos e Molhados quanto em sua carreira solo.

 

Secos e Molhados, qualquer semelhança com o Dzi não é mera coincidência
Secos e Molhados, qualquer semelhança com o Dzi não é mera coincidência

 

As músicas também eram um caso à parte nos shows. Não importava a língua ou estilo. Em inglês, português ou francês, se samba, bolero ou soul, o grupo sempre mostrava a mesma técnica e preparo físico para todos os atos dos espetáculos. Originalidade, ousadia, liberdade criativa e inventividade são só algumas palavras para descrever o trabalho do Dzi Croquettes. Essa família, como gostavam de ser chamados, elevou o fazer artístico brasileiro a um alto patamar de profissionalismo.

 

Não existia esse ou aquele estilo para o Dzi, existia a Arte.
Não existia esse ou aquele estilo para o Dzi, existia a Arte.

 

Do Brasil para Paris foi outro pulo, desta vez apadrinhado por Liza Minnelli, que depois de assistir um show do grupo no Brasil, se apaixonou completamente por aqueles 13 homens “talentosérrimos”. Como ela  disse no documentário realizado por Tatiana Issa e Raphael Alvarez ( Dzi Croquettes – 2009) : “I can’t describe in one Word”.   A temporada na Cidade Luz foi um sucesso, com direito a novos fãs como Mick Jagger, Josefine Backer e Jeane Moreau só pra citar alguns.

 

Liza Minnelli, o passaporte para a temporada internacional do Dzi Croquettes
Liza Minnelli, o passaporte para a temporada internacional do Dzi Croquettes

 

A volta ao Brasil foi na verdade uma reviravolta e a AIDS, algumas diferenças e o destino encerraram a jornada de um dos mais impactantes grupos brasileiros. Mas ficou a memória de um dos momentos mais vigorosos e criativos da cultura brasileira. Uma fonte inesgotável para todo o artista que busca transcender os limites da arte, da técnica, da irreverência e dos conceitos pré-estabelecidos. Como eles diziam : “Não somos homens, não somos mulheres. Somos gente como vocês.”  Ou seja, eles levavam para a arte, para o palco e para a vida os dois lados de tudo.Se você quiser conhecer a fundo o Dzy Croquettes é só assistir o documentário, que está disponível no Youtube. Aliás vale à pena e muito conferir essa homenagem emocionante de Tatiana Issa ( filha do coreógrafo Américo Issa ) e Raphael Alvarez.

 

Dzi Croquettes - O documententátio
Dzi Croquettes – O documententário

 

Aqui no Link Sonoro você confere um trecho do espetáculo em que o Dzi dá a sua cara para o soul de James Brown.

Até a próxima! 😀

 

 

 

 

 

 

 

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Mano Que Zuera, o novo rebento sonoro de João Bosco

(Ouça a íntegra do programa aqui)

 

Podcast Link Sonoro

 

Lá se vão 8 anos desde o lançamento de Não Vou Pro Céu, Mas Já Não Vivo No Chão e depois deste hiato, e para alegria dos amantes da música brasileira, João Bosco soltou recentemente Mano Que Zuera, 26º álbum de sua carreira que traz o violão elaborado do moço, velhas e novas parcerias e um pedido de silêncio para períodos tão conturbados no qual precisamos de um tempo para momentos reflexivos.

 

Mano Que Zuera

 

Mano Que Zuera é um trabalho imagético, cada letra traz uma história, uma situação que nos leva para universos diferentes embalados por melodias que funcionam como uma trilha sonora, daquelas que envolvem corpo e alma do ouvinte. E foi pensando nas imagens  silenciosas da primeira sequência do filme Paris,Texas de Wim Wenders e na importância do silêncio que João Bosco, definiu o título do seu novo rebento sonoro.  Segundo João o silêncio é aquele elemento necessário para a reflexão e a observação, fundamentais aliás para se escutar Mano Que Zuera e entrar na viagem proposta por João e seus parceiros.

 

Para João, um pouco de silêncio é necessário

 

Por falar em parceiros, neste trabalho João Bosco se une a um time com alto grau de poesia na veia. O filho Francisco Bosco continua firme em sua união poético-musical com o pai em 5 faixas do álbum. Filósofo, pensador, Francisco imprime às letras um olhar aprofundado da vida, do cotidiano e da realidade que nos cerca. Dos bastidores dos programas de TV surgiu o encontro de Bosco com Arnaldo Antunes, parceria que já vinha sendo ensaiada há algum tempo e se materializou na faixa Ultra Leve. Quem também marca presença é o amigo de longa data Aldyr Blanc, com quem João criou canções que são fundamentais para a história da MPB e que agora surge novamente com o samba Duro na Queda. E não para por aí, o repertório ainda traz parcerias luxuosas como com Chico Buarque na releitura para Sinhá e Roque Ferreira em Pé de Vento, ambos emprestam seu lirismo para os arranjos meticulosamente pensados para o disco.

 

João e Francisco Bosco, pai e filho em um parceria produtiva

 

Mano Que Zuera é um trabalho requintado e merece nossa total atenção ao ser escutado. Os arranjos, que ficaram a cargo de João Bosco são um caso à parte. Repletos de nuances, todos os instrumentos tem um alto grau de importância e os violões de 6 e 7 cordas, bandolim, clarinete, sax, percussão e toda a banda trazem um desenho sonoro que compõe as histórias cantadas por João. Os vocalizes de Bosco, claro, também estão presentes e já são esperados como alguém que não pode faltar na festa sonora de João Bosco, afinal a voz do moço também é um instrumento fundamental em sua obra.

 

Violão e voz, os dois instrumentos fundamentais de João

 

Se você ainda não conferiu Mano Que Zuera, vale à pena separar um tempo só para ele e se deleitar com a nova produção de João Bosco. Em meio ao caos dos momentos atuais, o chamado do músico para reflexão e para o silêncio soam como um pedido de paz, respeito e tolerância. O álbum está disponível em diversas plataformas digitais e para acompanhar a música, os textos, os vídeos e todo o trabalho do rapaz é só acessar joaobosco.com.br.

Até a próxima! 😀

 

 

 

Um bate papo de primeira com a cantora Vanessa da Mata

(Ouça a íntegra do programa aqui)

 

 

A cantora Vanessa da Mata está em turnê pelo país com Caixinha de Música, show que traz o repertório do DVD homônimo lançado este ano pela artista e gravado na Casa Natura Musical em São Paulo.

 

Caixinha de Música

 

De passagem por Belo Horizonte, onde se apresentou no KM de Vantagens Hall,  aproveitamos para bater um papo com Vanessa da Mata sobre este novo trabalho, sua concepção, influências e muito mais.

 

 

 

 

 

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