Busca

linksonoro

um link e muitos sons

Bonobo – Migration

(Ouça a íntegra do programa aqui)

 

 

2017 começou bem com o lançamento do sexto álbum do Bonobo, Migration, após um hiato de 3 anos. Para quem não conhece, Bonobo é o nome usado por Simon Green, DJ, músico e produtor inglês que traz em sua jornada musical um bem sucedido trabalho na cena eletrônica, que vem ganhando corpo e fôlego desde o final dos anos 1990.

Migration inaugura uma nova forma de Bonobo compor suas canções. Em vez de se fechar em um estúdio, Simon Green aproveitou os intervalos em aeroportos e em aviões para criar as faixas de Migration em seu laptop. Talvez venha daí o nome do álbum, feito em locais diferentes do globo. Em seu novo rebento, Bonobo faz do universo da música eletrônica uma colcha de retalhos com sons hipnóticos, batidas leves, orquestrações, vozes suaves e arranjos complexos, mas altamente bem elaborados que vão crescendo ao longo do disco.

 

Migration
Migration

 

Em Migration também podemos perceber um tom mais pessoal, afinal Simon é um artista multifacetado que abraça todas as etapas da produção. Mesmo com um tom intimista, o álbum traz melodias que nos levam por uma viagem bem ao estilo do Bonobo. Variações de tons, referências de diversas culturas, doses generosas de trip hop e ares urbanos e conteporâneos.

 

Bonobo
Bonobo

 

Simon Green convidou nomes de culturas diversas para compor a salada musical que o moço nos oferece em Migration. Do Marrocos o coletivo Innov Gnawa que marca presença em Bambro Koyo Ganda. Da terra do Tio Sam vem a cantora Nicole Miglis que empresta seu vocal suave para Surface.  E da Australia Nick Murphy que deixa sua participação pra lá de especial em No Reason. Deu pra perceber que Bonobo é um artista multicultural e que sabe fazer como ninguém um produtivo intercâmbio musical.

 

Simon Green
Simon Green

 

Migration é um álbum que tem seus momentos experimentais, é verdade, mas suas viagens sonoras podem nos levar a locais pouco explorados e que são verdadeiras surpresas musicais. Ficou curioso para conhecer Migration e o trabalho do Bonobo, então é só acessar  bonobomusic.com . Aqui no Link Sonoro você confere Surface, faixa que traz a participação de Nicole Miglis .

Até a próxima! 😀

 

 

Marcelo Yuka – Canções Para Depois do Ódio

(Ouça a íntegra do programa aqui)

 

 

Lá se vão 12 anos desde que Marcelo Yuka lançou Sangueaudiência, seu primeiro trabalho como cantor e compositor solo ao lado do grupo F.U.R.T.O. De lá pra cá Yuka recheou vários HD’s com canções que poderiam marcar presença em seu próximo disco, além de trabalhar sonoridades e conceitos que dariam o tom a Canções Para Depois do Ódio, álbum que o músico lançou este mês depois de uma lapidação criteriosa das faixas que estariam presentes no projeto.

 

Canções Para Depois de Ódio
Canções Para Depois de Ódio

 

Em Canções Para Depois do Ódio, Marcelo Yuka mostra que sua maior força está nas palavras. Em tempos de intolerância acentuada, mesmo em pleno século XXI, Marcelo questiona o ódio e a raiva presentes no discurso de alguns governantes e grupos sociais mundo afora, fala do amor como “potência renovadora e revolucionária”,  celebra a alegria de um jogo de futebol no Maracanã que também pode estar presente em protestos nas ruas, além de abordar a depressão e a esperança nas 16 faixas autorais que compõem o disco.

 

Marcelo Yuka
Marcelo Yuka

 

As músicas presentes em Canções Para Depois do Ódio ganharam uma roupagem conteporânea e arranjos cheios de efeitos e detalhes sonoros. Além do peso percussivo do álbum e dos rifes marcantes de guitarra, Yuka utiliza todas as possibilidades que o universo dos sintetizadores oferece. O resultado são melodias cheias de cores e nuances que aumentam a força das letras de Marcelo, como podemos notar em faixas como Confusão, Movimento da Massa, Assim é a Água e Por Pouco. Canções Para Depois do Ódio também traz um time variado e de primeira linha. Estão lá, além de Céu, as cantoras Bárbara Mendes e Cibelle, o rapper Black Alien, Seu Jorge e o ator e cantor Bukassa Kabengele. Um grupo eclético e que traz um vigor a mais para as composições de Yuka, que aliás soube selecionar muito bem os nomes que o acompanhariam neste trabalho. Cada um, dentro de suas características, eleva a enésima potência a poesia de Marcelo.

 

Céu - uma das participações pra lá de especiais em Canções Para Depois do Ódio
Céu, uma das participações pra lá de especiais em Canções Para Depois do Ódio

 

Se você ainda não conferiu Canções Para Depois do Ódio vale à pena correr atrás do novo trabalho de Marcelo Yuka, que está disponível em plataformas digitais como Deezer e Spotify.  Aqui no Link Sonoro você confere Movimento da Massa com a participação de Bukassa Kabengele.

Até a próxima! 😀

 

Caetano Veloso – Bicho, 40 anos

 

O ano era 1977, Caetano Veloso estava com sua criatividade a 1000 e depois de sua volta do exílio, em Londres,  ele havia lançado Joia, Araçá Azul, feito uma excursão com os Doces Bárbaros, viajado com Gilberto Gil para a Nigéria e, claro, nos presenteado com canções inesquecíveis. E mesmo com tantas criações Caetano soltou naquele ano Bicho, disco que trouxe uma das sequências musicais mais emblemáticas da música brasileira. Das nove canções presentes no álbum, seis com certeza você ou já ouviu, ou sabe a letra de cor ou teve algum momento da vida marcado por uma destas composições.

 

Bicho
Bicho

 

Já na 1ª faixa de Bicho Caetano Veloso pede permissão para dançar e cantar na música Odara, com seus sete dançantes minutos acompanhados por um baixo marcante que se tornou tão famoso quanto a própria música. Daí em diante são 8 faixas compostas por Caetano e uma por Jorge Ben Jor, que vem em uma sequência muito bem pensada, que não deixa o ouvinte desgrudar o fone do ouvido nem por um segundo. E já que estamos falando de repertório, Caetano usa e abusa do poder de suas letras para falar dos mais diversos temas neste álbum. “De uma estrela colorida e brilhante” vem Um ÍndioTigresa traz, além de uma homenagem a Sônia Braga, uma bela poesia envolta por um violão sutil e elegante. Uma singela homenagem a Dadi surge em O Leãozinho e Gente abraça o lado existencial e político de Caetano que declara : “gente é pra brilhar, não pra morrer de fome”. Vale destacar também Olha o Menino, composição de Jorge Ben Jor que ganhou um charme todo especial na voz de Caetano.

 

Caetano e a "tigresa" Sônia Braga
Caetano e a “tigresa” Sônia Braga

 

Para registrar Bicho Caetano Veloso se cercou de um time de músicos de primeira que contribuiu e muito para a estética do álbum, que traz arranjos altamente elaborados interpretados por nomes como Thomas Improta, Raul Mascarenhas, Vinicius Cantuária, Perinho Santana e outros nomes de peso da cena musical. E se no estúdio a escolha para a banda de apoio foi criteriosa, não foi diferente com o grupo que acompanhou Caetano na divulgação do disco com o espetáculo Bicho Baile Show que trazia a presença da Banda Black Rio, para o cantor eles representavam  a nova favela brasileira e dariam o swing ideal para a pegada dançante proposta em Bicho.

 

Cae e as feras da Banda Black Rio
Cae e as feras da Banda Black Rio

 

Além das músicas e letras, Caetano também assina a capa do álbum, sim, a borboleta que traz o sol e a lua em um fundo branco é obra do moço e como ele mesmo disse “representa bem o disco, que tinha muitos nomes de bicho envolvidos, além da palavra ser uma gíria muito usada entre os músicos na época”. Ou seja capa e conteúdo se encaixam perfeitamente neste que é um dos melhores trabalhos de Caetano Veloso. Se você ainda não conferiu Bicho na íntegra, vale à pena relembrar este discaço de mano Caê.

Até a próxima! 😀

 

 

 

Blog no WordPress.com.

Acima ↑