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Vesúvio, o pop sofisticado de Djavan

(Ouça a íntegra do programa aqui)

 

Vesúvio, o pop sofisticado de Djavan – Podcast

 

São mais de 40 anos de dedicação à música popular brasileira. Suas composições são cantadas, regravadas e reverenciadas por público, artistas e críticos. Alguns dos seus sucesso, inclusive, já fazem parte da memória afetiva do brasileiro que no primeiro acorde de Sina ou Fato Consumado, canta de peito aberto as poesias deste moço. Já deu para perceber que a bola da vez no Link Sonoro é Djavan, que acaba de lançar Vesúvio, o 24o álbum de sua carreira.

 

Vesúvio

 

A primeira coisa que nos chama a atenção em Vesúvio, é a capa do disco. Djavan surge com o rosto pintado de preto com dourado nos dedos e nos olhos, e um olhar tão profundo que é quase impossível desviar a atenção desta foto e do álbum como um todo. É um olhar de quem observa, questiona, ama, sofre e ainda assim faz da música e da poesia a porta de vazão para tudo que está presente no universo particular de Djavan.

 

Em Vesúvio, Djavan traz seu pop sofisticado (Foto: Nana Moraes)

 

Segundo o próprio Djavan, Vesúvio é um ábum pop e aqui um parênteses : não confunda o pop do Djavan com aquele que se apresenta em nosso século XXI. O pop do moço possuiu as doses generosas da sofisticação características do seu trabalho e letras palatáveis, mas com uma poesia de métrica perfeita e envolvida por temas diversos, além do uso elegante da Língua Portuguesa. Esse é o pop de Djavan, o mesmo que o levou para o grupo seleto dos grandes nomes da MPB, lançou suas músicas para os quatro cantos do Brasil e do mundo e lhe rendeu prêmios e discos de ouro e platina, ao longo de suas mais de quatro décadas de jornada musical.

 

Djavan (Foto: Nana Moraes)

 

O novo álbum de Djavan traz um mix de estilos bem arranjados e conduzidos por um grupo de músicos que já acompanham o moço há algum tempo e estão presentes tanto na gravação quanto na turnê que irá rodar o país. Estão lá Felipe Alves na bateria, Torcuato Mariano na guitarra, Renato Fonseca nos teclados, Arthur de Palla no baixo e Paulo Calasans no piano e teclados. Essa trupe faz a cama ideal para os sambas, as levadas jazzísticas, funks, o violão flamenco e os ritmos mais tribais que permeiam as composições de Djavan.

 

Djavan e sua super banda!

 

Por falar em composições, em Vesúvio Djavan aborda, de maneira delicada, temas como os dramas da sociedade atual e críticas explícitas a esse momento que vivemos, o amor, as relações pessoais e a natureza. Esta última ganha uma bela homenagem na faixa Orquídeas, essa flor – que aliás – é uma das paixões do cantor que tem centenas delas das mais variadas  espécies em sua casa. Neste samba Djavan discorre com naturalidade nomes dos mais complexos mas que passam suaves pelos nossos ouvidos e ainda dão um tempero sonoro para a canção.

“Djavanear” por vesúvio é necessário 😉

 

Verbo criado por Caetano, djavanear pelas músicas e letras de Djavan é uma verdadeira delícia sonora, necessária em dias tão complexos. Se você ainda não conferiu Vesúvio, aí uma boa oportunidade, o álbum está disponível em diversas plataformas de streaming. Agora se quiser acompanhar de perto o trabalho do moço é só acessar djavan.com.br.  

Até a próxima!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Teresa Cristina e sua bela homenagem a Noel

(Ouça a íntegra do programa aqui)

 

 

O samba, este que é o estilo mais tradicional da música brasileira, tem em seu rol de compositores mais que simples letristas, são verdadeiros poetas que buscam no cotidiano do povo, no amor, nas escolas de samba e na boemia a inspiração para letras que atravessam décadas e não perdem sua autenticidade, contemporaneidade e beleza. Daí nomes como Cartola, Monsueto Neves, Adoniran Barbosa, Nelson Cavaquinho, Noel Rosa e tantos outros terem seus sambas registrados por gerações e gerações de artistas.

Um bom exemplo de dedicação e amor ao samba é a carioca Teresa Cristina. A cantora fez do circuito de bares da Lapa, no Rio de Janeiro, o trampolim para sua ascensão na MPB e da obra de Paulinho da Viola o primeiro passo para o mercado fonográfico, com álbum A Música de Paulinho da Viola, lançado em 2002 que abraçava o trabalho do nosso princípe do samba. Daí em diante Teresa foi se tornando, a cada álbum, uma das representantes mais fieis do estilo. Com sua voz irretocável e um repertório bem selecionado, típico daqueles que realmente pesquisam a fundo toda a produção realizada por diversos sambistas, a moça mantém viva para as novas gerações o que temos de mais rico na cultura brasileira.

 

 

Teresa Cristina Canta Noel

 

Dando continuidade a sua exaltação ao samba Teresa focou seu canto em uma trilogia de sambabooks que começou em 2016 com um álbum que abraçava a obra de Cartola, em Teresa  Cristina Canta Cartola, e chega agora ao seu segundo lançamento com Teresa Cristina Canta Noel, álbum que traz a parceria, já consolidada com o violonista Carlinhos 7 Cordas. Para encerrar essa tríade ela promete ainda passear pelo cancioneiro de Nelson Cavaquinho.

 

Parceria refinada com Carlinhos 7 Cordas

 

Com direção musical de Caetano Veloso e lançado pela Uns Produções, Teresa Cristina Canta Noel é uma homenagem delicada a este compositor que teve uma vida curta, mas o suficiente para marcar seu nome no samba com canções que fizeram  história na música brasileira. Criteriosa e conhecedora da obra de Noel, assim como Caetano, Teresa saiu do lugar comum e incluiu neste disco faixas que podemos chamar do lado B de Noel, além de registrar – claro – clássicos do compositor.

 

Caetano e Teresa, homenagens delicadas aos mestres do samba

 

Em Teresa Cristina Canta Noel,  a cantora segue a risca a máxima de que “o belo está no simples” e a dobradinha voz e violão dá ao álbum um alta dose de refinamento musical. Os arranjos para  a voz de Teresa e o violão de Carlinhos 7 Cordas não fogem dos originais de Noel Rosa, mas a maneira que eles conduzem o repertório dão destaque às letras de Noel , que Teresa confere um brilho na medida certa para cada verso.

Na seleção escolhida para Teresa Cristina Canta Noel estão Seja Breve, Não Tem Tradução, Conversa de Botequim, Silêncio de Um Minuto, O X do Problema e Minha Viola, composta por Noel em 1929, que traz um ar caipira e que neste álbum de Teresa traz a participação de Mosquito, um dos nomes da nova geração do samba e partideiro de mão cheia.

 

Mosquito, um dos nomes da nova geração do samba

 

E ainda falando das faixas, é bom lembrar que essas composições são do início do século XX e que mesmo assim soam conteporâneas, mostrando o porque da obra de Noel Rosa ser atemporal.

 

Noel Rosa, atemporal

 

Vale destacar as fotos e o figurino de Teresa, ela surge elegante em um vestido que traz a mistura de borgonha, azul e rosa. Ou seja, o mesmo refinamento que encontramos no repertório se estende para o trabalho como um todo, mostrando o cuidado que a moça e sua equipe tiveram na elaboração deste projeto.

 

Elegância no repertório e no figurino

 

Teresa Cristina Canta Noel é um álbum necessário que merece, e deve, ser escutado diversas vezes para captar cada detalhe da interpretação de Teresa, do violão de Carlinhos e das rimas de Noel. O disco está disponível em diversas plataformas digitais e se você quiser conferir a cantora ao vivo, ela já está em turnê pelo país. Vale acessar teresacristinaoficial.com e conferir se sua cidade já entrou no roteiro de shows. Um belo trabalho que traz também um show imperdível.

Até a próxima! 😀

 

 

 

 

 

Secos e Molhados (1973)

(Ouça a íntegra do programa aqui)

 

Secos e Molhados, Inequecíveis e atemporais – Podcast

 

A década de 1970 no Brasil, e na América do Sul, foi marcada por ditaduras pesadas que fizeram o continente amargar um período de censuras, torturas, silêncios e o “sumiço” daqueles que tentavam retomar a identidade perdida de vários povos. Tão forte quanto a luta armada era a luta artística. Não é segredo pra ninguém que toda a arte produzida em períodos de turbulência, vem cheia de flechas embutidas em poesias, traços, imagens e sons que podem ser mais certeiros que qualquer bala ou algo que o valha. É só dar uma passeada rápida nas obras de Caetano, Chico, Gil, Glauber Rocha, Hélio Oiticica, o jornal Pasquim, Secos e Molhados e por aí vai. Secos e Molhados?!?!? Sim, afinal era preciso muita coragem para subir em um palco, mesmo com toda a beleza poética, e se apresentar em trajes e trejeitos nada adequados para aquela época. E é aqui que começa nosso papo sobre esse grupo que, sem pretensão de mudar nada, mudou tudo.

 

Tônia Carreiro, Eva Wilma, Norma Bengell, era muita gente querendo falar
Tônia Carreiro, Eva Wilma, Norma Bengell, era muita gente querendo falar

 

A história começa mais ou menos assim, dois amigos e vizinhos se reúnem para fazer um som sem muito compromisso e criam um grupo chamado Eric Expedição. João Ricardo e Gerson Conrad eram dois jovens cheios de ideias musicais, mas ainda faltavam alguns elementos para criar um grupo de peso. Naquele momento João começava um esboço do que seria o Secos e Molhados, inserindo em sua música violas, percussão e gaita. Mas…..ainda faltava alguma coisa, e essa “ coisa “ estava no Rio de Janeiro. A cantora Luli ( da dupla Luli & Lucina ) soltou a dica : tem um cantor lá na capital fluminense que tem uma voz fora do comum. Resultado, os dois saíram de Sampa correram para o Rio e deram de cara com Ney Matogrosso. Pronto….a química sonora aconteceu.

 

Gerson, Ney e João, química sonora perfeita
Gerson, Ney e João, química sonora perfeita

 

O ano era 1973 e depois de dois anos tocando na noite paulistana, e conquistando um público cada vez mais fiel, o Secos e Molhados assina com a gravadora continental e grava, em 2 semanas, um disco que nunca mais iria sair da memória da música brasileira. Anos depois, Secos e Molhados – o álbum – influencia, faz cantar e passa aquela ideia de transgressão, mesmo em pleno século XXI. Às vezes podemos até nos perguntar : o que faz deste trabalho, algo tão atemporal e marcante? Uma das respostas pode ser a estética, o conceito e o bom gosto. Sim, o repertório era composto por poesias de Vinícius de Moraes e Manuel Bandeira e pelas letras que iam do caráter social ao amor escritas por João Ricardo e seu pai João Apolinário. Tudo servido em meio a um leque melódico que ia do fado ao rock em fração de segundos.

 

Secos e Molhados - 1973
Secos e Molhados – 1973

 

No Secos e Molhados, música e poesia ganhavam uma cara, um corpo e uma imagem. O que começou sem grandes intenções se tornou uma marca do grupo. Os figurinos super elaborados e maquiagens pesadas completavam o círculo criativo proposto pelos rapazes. Meio homens, meio animais, em tons escuros ou brilhantes, com peles ou penas, tudo isso somado à voz e interpretação poderosa de Ney Matogrosso. E lembre-se : em pleno governo Médici. Falar e agir fora do proposto por “eles”, era um problema. Mas não foi para o Secos e Molhados, afinal a faixa O Vira conquistou as inocentes criancinhas brasileiras e se você tem em torno de 40 anos já dançou, e muito! ,  essa música. Deve se lembrar também das imagens marcantes da apresentação do grupo no Maracanãzinho e de canções como Flores Astrais, Rosa de Hiroshima, El Rey, Fala e Sangue Latino. Basta escutar esse álbum com cuidado para perceber a complexidade dos arranjos, os timbres multicoloridos e a liberdade criativa que esses caras esbanjavam. Uma obra de arte completa cheia de poesia, música, teatro e dança.

 

Homem-bicho-música-teatro
Homem-bicho-música-teatro

 

Se você andava meio esquecido, ou esquecida, deste disco aproveite para refrescar sua memória musical. Com certeza alguns detalhes vão te surpreender !

Até a próxima! 😀

 

 

 

 

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