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Jorge Ben Jor

Caetano Veloso – Bicho, 40 anos

 

O ano era 1977, Caetano Veloso estava com sua criatividade a 1000 e depois de sua volta do exílio, em Londres,  ele havia lançado Joia, Araçá Azul, feito uma excursão com os Doces Bárbaros, viajado com Gilberto Gil para a Nigéria e, claro, nos presenteado com canções inesquecíveis. E mesmo com tantas criações Caetano soltou naquele ano Bicho, disco que trouxe uma das sequências musicais mais emblemáticas da música brasileira. Das nove canções presentes no álbum, seis com certeza você ou já ouviu, ou sabe a letra de cor ou teve algum momento da vida marcado por uma destas composições.

 

Bicho
Bicho

 

Já na 1ª faixa de Bicho Caetano Veloso pede permissão para dançar e cantar na música Odara, com seus sete dançantes minutos acompanhados por um baixo marcante que se tornou tão famoso quanto a própria música. Daí em diante são 8 faixas compostas por Caetano e uma por Jorge Ben Jor, que vem em uma sequência muito bem pensada, que não deixa o ouvinte desgrudar o fone do ouvido nem por um segundo. E já que estamos falando de repertório, Caetano usa e abusa do poder de suas letras para falar dos mais diversos temas neste álbum. “De uma estrela colorida e brilhante” vem Um ÍndioTigresa traz, além de uma homenagem a Sônia Braga, uma bela poesia envolta por um violão sutil e elegante. Uma singela homenagem a Dadi surge em O Leãozinho e Gente abraça o lado existencial e político de Caetano que declara : “gente é pra brilhar, não pra morrer de fome”. Vale destacar também Olha o Menino, composição de Jorge Ben Jor que ganhou um charme todo especial na voz de Caetano.

 

Caetano e a "tigresa" Sônia Braga
Caetano e a “tigresa” Sônia Braga

 

Para registrar Bicho Caetano Veloso se cercou de um time de músicos de primeira que contribuiu e muito para a estética do álbum, que traz arranjos altamente elaborados interpretados por nomes como Thomas Improta, Raul Mascarenhas, Vinicius Cantuária, Perinho Santana e outros nomes de peso da cena musical. E se no estúdio a escolha para a banda de apoio foi criteriosa, não foi diferente com o grupo que acompanhou Caetano na divulgação do disco com o espetáculo Bicho Baile Show que trazia a presença da Banda Black Rio, para o cantor eles representavam  a nova favela brasileira e dariam o swing ideal para a pegada dançante proposta em Bicho.

 

Cae e as feras da Banda Black Rio
Cae e as feras da Banda Black Rio

 

Além das músicas e letras, Caetano também assina a capa do álbum, sim, a borboleta que traz o sol e a lua em um fundo branco é obra do moço e como ele mesmo disse “representa bem o disco, que tinha muitos nomes de bicho envolvidos, além da palavra ser uma gíria muito usada entre os músicos na época”. Ou seja capa e conteúdo se encaixam perfeitamente neste que é um dos melhores trabalhos de Caetano Veloso. Se você ainda não conferiu Bicho na íntegra, vale à pena relembrar este discaço de mano Caê.

Até a próxima! 😀

 

 

 

Los Sebosos Postizos – Los Sebosos Postizos Interpretam Jorge Ben Jor

Um dos repertórios mais vasculhados, regravados e pesquisados da MPB é o de Jorge Ben Jor. Inúmeros artistas beberam, e bebem, na fonte inesgotável do samba-rock do Zé Pretinho. Ben Jor é  influência para uma galera enorme como, por exemplo, os integrantes do Los Sebosos Postizos. Quem? você deve estar se perguntando, tudo bem, essa moçada é mais conhecida por seu trabalho no Nação Zumbi. O Los Sebosos é um projeto paralelo de Lúcio Maia (guitarra), Pupilo (percussão e bateria), Dengue (baixo) e Jorge Du Peixe (vocais) e nasceu à partir da festa Noite do Ben em 1998. À partir daí, e sem pressa, a banda registrava uma faixa e outra, entre os compromissos com a Nação, e se apresentava com um show repleto de swing. Trabalho enviado para o produtor Mario Caldato agora era soltar Los Sebosos Postizos Interpretam Jorge Ben Jor, que saiu pela gravadora Deck Disk.

 

Los Sebosos Postizos Interpretam Jorge Ben Jor

 

Em Los Sebosos Postizos Interpretam Jorge Ben Jor, a banda buscou nos discos de JorgeSamba Esquema Novo (1963), Bidu- Silêncio no Brooklin (1967) e Tábua de Esmeralda (1974) – boa parte do repertório do álbum. Como o estilo de Ben Jor é único e bem particular, era de se esperar somente mais um tributo ao músico, mas esse não é o caso dos Postizos, que conseguem dar uma cara relativamente nova às composições de Jorge Ben Jor. Arranjos cheios de elementos eletrônicos, um andamento em alguns momentos mais lento e a presença de Bactéria (teclados), Barbara Eugênia (vocais), Guizado (trompete) e Da Lua (percussão), dão às versões  uma cara nova sem perder o balanço característico do samba-rock. Estão lá Quero Esquecer Você, 5 Minutos, A Tamba, Frase, Os Alquimistas Estão Chegando e O Homem da Gravata Florida. Como dá para perceber, os caras passeiam pelos lados A, B, C e quanto outros existirem na obra de Ben Jor. Taí um trabalho que vale à pena você conferir e ter nos arquivos musicais do seu HD.

Aqui no Link Sonoro você confere a faixa A Jovem Samba do álbum Los Sebosos Postizos Interpretam Jorge Ben Jor.

Até a próxima!

 

 

Dom Salvador – Dom Salvador (1969)

Que as décadas de 1960 e 1970 foram particularmente criativas e que grandes mudanças iam surgindo na sonoridade das composições da época, não é segredo para ninguém. A bossa nova se firmou como o grande carro abre-alas destas novidades. O samba ganhou um andamento mais suave e gingado e os arranjos de João Gilberto, eram de dar nó nos dedos de qualquer violonista. Numa outra banda o rock ingênuo de Cely Campelo abria as portas para a Jovem Guarda. Gil nos apresentava a psicodelia dos Mutantes e Tom Zé. E paralelo a tudo isso, tinha a turma do funk-soul-samba-rock, que  vinha ganhando espaço à cada disco de Jorge Ben Jor, Tim Maia e grupos bacanérrimos como Dom Salvador Trio. Aliás, você conhece o trabalho deste pianista genial? Então aqui começa nosso papo.

 

João Gilberto e sua posições “aranhosas” para a bossa nova

 

Dom Salvador começou sua carreira no início dos anos 1960 e como a maioria dos jovens da época buscou na bossa nova o caminho para seus primeiros acordes na cena musical. Seu piano acompanhava bambas como Elis Regina, Elza Soares e Jorge Ben Jor e os trios que criou – Rio 65 e Dom Salvador Trio – chamavam a atenção pelo aspecto diferente de seus arranjos. Claro, Dom temperava sua MPB com doses generosas de funk e jazz, absorvendo sem medo a influência da música negra norte-americana.

 

Dom e Elis, dois jovens cheios de música na cabeça

 

Em 1969 chegava às lojas Dom Salvador, álbum que levava o nome do músico e mostrava para artistas e público um funk-soul com cara de Brasil e jeito de samba. Totalmente instrumental, o disco traz em seu repertório os mais variados temas. Asa Branca de Luis Gonzaga ganhou uma cara altamente soul, País Tropical de Jorge Ben Jor leva um arranjo de piano de primeira e a super romântica Cantiga Por Luciana, de Edmundo Souto e Paulinho Tapajós, encerra o álbum com leveza e suavidade. Vale destacar também Folia de Reis, Sambaloo e Be By My Side, swing puro!

 

Dom Salvador de 1969, uma raridade

Dom Salvador é um destes discos difíceis de se encontrar nas prateleiras. É preciso uma boa dose de paciência e muita pesquisa no mercado paralelo do vinil. Mas a web é uma grande aliada dos ouvidos curiosos e com uma navegada rápida na rede você encontra essa pérola para audição. Corre lá!

Aqui no Link Sonoro você confere a faixa Sambaloo.

Até a próxima!

 

Sacundin Ben Samba

O 2o álbum de um artista ou banda talvez seja mais desafiador que o trabalho de estreia. Passada a fase da “novidade” vem aquela em que o músico se firma, ou não, no mercado e no gosto do seus fãs.

Hoje a gente vai falar do 2o disco de um dos artistas mais geniais da música brasileira, Jorge Ben Jor. No início dos anos 60 o Brasil se rendia a bossa-nova de João Gilberto, a poesia de Vinícius, aos arranjos incomparáveis de Tom Jobim ao mesmo tempo que via nascer artistas que iriam ampliar ainda mais a diversidade da nossa música. Mutantes, Caetano, Gal, Tom zé, Chico Buarque, Jorge Ben Jor e tantos outros.

João Gilberto e Tom Jobim, mestres da música brasileira

Samba Esquema Novo (1963), seu 1o álbum, mostrou que aquele jovem queria dar ao nosso samba uma cara nova mas que não deixasse de lado as raízes africanas, além de todas as referências culturais que formam a essência do samba. O que deixou alguns puristas com o nariz torto e olha que lá estão faixas como Mais Que Nada, Chove Chuva e Por Causa de Você Menina, só pra citar algumas.

O início do 'esquema novo de Ben Jor'

Em 1964 Sacundin Ben Samba invade o Brasil dando sequência ao ‘esquema novo de ben jor’. O álbum tinha a genialidade do saxofonista J.T.Meirelles nos arranjos e a companhia de umas das bandas mais swingadas do Brasil, o Copa 5. Jorge Ben ( na época ele ainda não tinha o Jor no final do nome ) pega seu samba e mistura a uma salada feita de jazz, capoeira, vocais manhosos, um tom lisérgico e os ritmos que ecoavam nas senzalas e nos terreiros. Aliás as raízes africanas do Brasil nunca ficaram de fora de seus trabalhos.

J.T Meirelles e o Copa 5 no lendário Beco das Garrafas

Composições como Anjo Azul, Gimbo, Capoeira e Não Desanima Não João mostram o leque poético de Ben Jor,que trata do amor, da boa malandragem, da história do negro sem se deixar levar por  clichês básicos que se perdem com o tempo.

Sacundin Ben Samba

Sacundin Ben Samba fincou Jorge Ben na nossa música e abriu portas para os afro-sambas que chegariam com Baden Powell e Vinicius de Moraes e o swingue do samba-rock que iria estourar como nomes como Trio Mocotó e Bebeto. Um álbum clássico que merece lugar reservado em nossos HD’S ou prateleiras se você preferir a versão física do 2o trabalho de Ben Jor. E se quiser ficar por dentro do histórico deste gênio da nossa música é só dar um pulinho no seu site www.jorgeben.com.br.

Para te dar um gostinho de Sacundin Ben Samba você confere aqui Não Desanima Não João.

Rapidinhas

A revista inglesa ‘New Musical Express’ lançou uma lista com os 100 melhores discos da década. O álbum de estréia do grupo norte-americano Strokes, ‘Is This It’, encabeça o ranking que ainda traz the Libertines, Arctc Monkeys e P.J Harvey.
Quatro meses após lançar o CD ‘Nove’, a cantora Ana Carolina já está preparando outro álbum para comemorar seus 10 anos de carreira. No projeto, que se chamará ‘9 + 1’ , Ana fará duetos com nomes fortes da MPB como Roberta Sá, Seu Jorge, Maria Bethânia e Gilberto Gil. A direção do trabalho é de Monique Gardenberg.

Eduardo Paes, prefeito do Rio de Janeiro, anunciou em seu Twitter a apresentação da cantora Madonna no reveillon de 2010 para 2011 na praia de Copacabana. A cantora esteve no páis na última semana para visitar e participar de projetos socias.
Chega as lojas no dia 15 de dezembro o box ‘Salve,Jorge!’ que traz parte obra de Jorge Ben Jor no período entre 1963 e 1976. Serão 14 álbuns entre eles ‘A Tábua de Esmeralda’, ‘Samba Esquema Novo’ e ‘África Brasil’.

O ex-beatle Paul McCartney receberá o prêmio Gershwin de Música Popular da Biblioteca do Congresso norte-americano. Criado em 2007, o prêmio leva o nome dos irmãos George e Ira Gershwin autores de clássicos da música americana como ‘Porgy and Bess’ e já foi entregue a Stevie Wonder e Paul Simon.

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