2016 não tem sido um ano fácil para o mundo da música, muitos nomes fundamentais da história foram fazer seu som em outras paragens deixando muitos fãs órfãos de suas composições mundo afora. Na última semana a soul music teve uma baixa significativa. Depois de alguns anos lutando contra um câncer a cantora Sharon Jones foi brilhar em outras esferas. A herança que ela nos deixou é uma das mais ricas da música negra americana e a sua história, sua voz e seu som merecem ser lembrados por muitos e muitos anos.

 

Sharon Jones
Sharon Jones

 

A história de Sharon Jones não é das mais comuns e o sucesso só chegou tarde, após os 40 anos, quando fazia backing vocal para Lee Fields. Mas vale voltar um pouco no tempo para entendermos toda a força, intensidade e persistência da Oficial Jones. Sim, porque a moça precisou ralar muito até poder viver só de música. E uma de suas atribuições era a de guarda na prisão de Rinkers Island em Nova York, um ambiente totalmente diferente do leve universo das artes, mas aonde a cantora disse ter aprendido muita coisa mesmo não tendo a menor saudade dos dias de oficial.

 

Sharon Jones & Lee Fields
Sharon Jones & Lee Fields

 

A música entrou na vida de Sharon Jones através de igrejas e pequenas apresentações que não só definiram o estilo da artista como também serviram para o amadurecimento da sua interpretação e presença de palco, onde Jones esbanjava energia e vitalidade, qualidades pra lá de importantes para quem quer se dedicar a soul music. A mudança para Nova York, ainda adolescente, também foi outro ponto fundamental para a formação da cantora e o período passado no Brooklyn colocou Sharon frente a frente com a discriminação racial e a desigualdade social, fatores que não desanimaram a artista, pelo contrário, deram a ela a certeza de que seria através da música que ela iria explorar os temas mais diversos e os sons mais intensos. Depois de anos dividindo as funções na polícia com suas apresentações musicais Sharon Jones começou a ganhar uma certa atenção da mídia  ao se unir a gravadora Daptone Records a casa da soul music nos dias atuais e foi aí que surgiu Dap Dippin’ with Sharon Jones and the Dap-Kings, álbum lançado em 2002 e que abriu caminho para a cantora alçar voos maiores e começar a firmar seu nome no mercado da música e na história da soul music conteporânea.

 

Sharon Jones & The Dap Kings
Sharon Jones & The Dap Kings

 

Um dos fatores que deixavam os discos de Sharon Jones mais especiais era a forma de gravação. Os registros eram feitos a moda antiga em fitas de rolo e com toda a banda tocando ao vivo, o que dava um peso a mais para as canções, além de tornar o som mais orgânico e vibrante. O The Dap Kings também foi um elemento fundamental na carreira de Jones. Cantora intensa e cheia de gás, Sharon tinha na banda o suporte ideal para suas apresentações com arranjos que exploravam ao máximo a potência da sua voz e músicos carismáticos, com um figurino impecável e cheios de estilo. O The Dap Kings era tão impactante que foi convidado para tocar em Back to Black álbum que estourou Amy Winehouse para o mundo inteiro. A participação da banda de Sharon no disco da jovem e promissora Amy, também contribuiu para que seu trabalho se tornasse mais conhecido.

 

Amy Winehouse - Back To Black
Amy Winehouse – Back To Black

 

À partir daí Sharon lançou ao lado do The Dap Kings uma sequência de álbuns cheios de groove e que se tornaram verdadeiras pérolas da soul music. Naturally, em 2005, 100 Days, 100 Nights, de 2007, I Learned The Hard Way, de 2010, Soul Time, de 2011, Give The People What They Want, de 2014 e It’s a Holiday Soul Party de 2015. Mas o destino tem seus reveses e Sharon Jones foi pega de surpresa com o surgimento de um câncer na vesícula biliar em 2013. Não foi um período fácil, mas Jones conseguiu vencer esta 1ª batalha e voltar para sua carreira musical. Give The People What They Want foi um sucesso e o retorno de Sharon foi comemorado por publico e mercado musical. Em suas andanças pelo mundo a moça chegou a passar pelo Brasil com uma apresentação bombástica, mas a vida de Jones sofreu um novo impacto e ela descobriu que o câncer havia voltado. Só que desta vez a doença venceu e Sharon foi fazer sua soul music em outras esferas. Como falamos lá no início, uma perda significativa para o mundo da música, mas ficaram as boas lembranças: seus shows incendiários, suas interpretações intensas e vigorosas e sua voz cheia de personalidade. Uma artista que contribuiu, e muito, para a soul music conteporânea e que será lembrada por muitos e muitos anos!

Até a próxima! 😀