O ano era 1985 e Cazuza, então vocalista do Barão Vermelho, resolveu que precisava dar novos rumos para sua jornada musical.  O cantor estava em meio às gravações de Declare Guerra, 4o álbum do Barão, quando decidiu sair da banda alegando a necessidade de liberdade para compor e de se expressar em suas poesias. Outro fator que pesou,  e muito, segundo palavras do próprio Cazuza  é que ele era muito egoísta para dividir a atenção e os palcos.

 

Barão Vermelho com Cazuza no auge da banda
Barão Vermelho com Cazuza no auge da banda

 

Em 1985 o Barão Vermelho havia sacudido a cidade do Rock na primeira edição do Rock in Rio.  No ano anterior o disco Maior Abandonado conquistou o tão sonhado Disco de Ouro. Ou seja, Declare Guerra nascia em um momento que o grupo crescia no mercado musical e conquistava mais fãs com seu rock sem frescura e a voz rasgada de Cazuza. Mesmo assim o moço acreditou na sua intuição e iniciou sua carreira solo com o lançamento do álbum Exagerado em 1985.

 

Cazuza e Frejat na 1a edição do Rock In Rio
Cazuza e Frejat na 1a edição do Rock In Rio

 

Cazuza era uma cara criterioso quando o assunto era trabalho. Suas letras bem construídas, misturavam críticas sociais, declarações suaves de amor e momentos ácidos, tudo envolto em uma variedade de estilos que iam do rock’n’roll às baladas, passando pelo blues sem o menor pudor. Aliás pudor não é um termo que se encaixava na personalidade de Cazuza, e em sua música ele também não existia. É só puxar pela memória faixas como Só As Mães São Felizes e Desastre Mental, para a gente se lembrar do quanto suas composições podiam tocar feridas sem nenhum medo.

 

Exagerado
Exagerado

 

As parcerias em Exagerado também foram um ponto alto do álbum. Leoni, Lobão, Frejat, Wally SalomãoRenato Ladeira dividiam as canetas em várias letras. Já a banda de apoio trazia feras como Rogério Meanda, João Rebouças, Décio Crispin e Nico Rezende. Esse último, inclusive, ficou a cargo da produção ao lado de Ezequiel Neves, grande amigo de Cazuza desde os tempos de Barão. E isso sem falar na direção artística luxuosa de Guto Graça Mello.

 

Ezequiel Neves e Cazuza, parceria na vida e na música
Ezequiel Neves e Cazuza, parceria na vida e na música

 

Lá se vão 30 anos desde o lançamento de Exagerado e o álbum continua atual, como boa parte das obras de Cazuza. Codinome Beija-Flor, Medieval II e Mal Nenhum com certeza estão na ponta da língua de muita gente por aí. E para celebrar a data Dado Villa-Lobos, João Barone, Liminha e Kassin criaram uma versão re-colour para a faixa-título do álbum, ou seja, eles mantiveram a voz de Cazuza e deram para a canção novas trilhas e elementos o que, claro, traz outras cores para a música. O título, Exagerado 3.0, é uma homenagem pra lá de merecida!

 

Dado e Liminha nos ensaios de Exagerado 3.0
Dado e Liminha nos ensaios de Exagerado 3.0

 

Se você não conhece Exagerado ou não está se lembrando muito bem de todas as faixas, vale conferir o álbum na íntegra e comemorar, celebrar e lembrar toda a poesia e musicalidade de Cazuza. Aqui no Link Sonoro você confere a faixa Mal Nenhum.

Até a próxima! 😀