Para alguns artistas a mola propulsora de sua criatividade passa pela vivência de momentos difíceis. Amores mal resolvidos, um passado com algumas experiências amargas, os vícios ou qualquer outra situação similar. Você deve estar se perguntando: Por que começar o programa de hoje refletindo sobre uma das várias formas que motivam a criação? Simples, para falarmos de uma das maiores vozes da música mundial que completaria 100 anos este mês. Billie Holiday!

 

Billie Holiday
Billie Holiday

 

A biografia de Lady Day (apelido que ganhou do saxofonista Lester Young) é uma sequência de fatos que daria um daqueles filmes repletos de dramas, amores conturbados, abusos, preconceito, doses generosas de álcool e drogas, boas noitadas, além – claro – de shows memoráveis e gravações inesquecíveis. Tudo isso nos Estados Unidos do início do século XX, onde o cenário era formado por um racismo cruel, ao mesmo tempo em que a música negra americana – o jazz, o blues e o gospel – ganhava cada vez mais adeptos entre ouvintes de todas as raças.

 

Billie e suas tradicionais orquídeas brancas
Billie e suas tradicionais orquídeas brancas

 

A infância de Billie Holiday não foi nada fácil. A pequena Eleonora Fagan ( nome de batismo de Holliday) foi abandonada pela mãe ainda aos 10 anos, quando foi violentada por um vizinho. Já o pai deu o fora muito antes da garota balbuciar suas primeiras palavras. Daí em diante sua vida foi um tour por casas de parentes distantes até o dia em que foi parar em um bordel para fazer pequenas serviços. O que poderia parecer a pior das situações para aquela menina, foi na verdade sua libertação, afinal foi neste local que ela escutou seu primeiro jazz.  Uma gravação, não muito das melhores, de Louis Armstrong e Bessie Smith. Pronto!! O impacto daquele som foi o pontapé inicial para Billie descobrir seu verdadeiro caminho: a música. Sua jornada sonora começa cantando em boates onde foi descoberta por John Hammond, que por sua vez, a levou a Benny Goodman. Daí em diante foram alguns anos cantando em orquestras de feras como Count Basie  e Artie Shaw. Mas a moça tinha necessidade de muito mais e cantar em big bands não permitia que ela explorasse todo seu poder de interpretação. Foi quando entrou em cena um dos seus grandes parceiros musicais : Lester Young. Aquele…que a apelidou de Lady Day. À partir daí nasceu um novo conceito de interpretação jazzística, que influenciaria centenas e centenas de cantoras.

 

Lester Young, o parceiro musical perfeito para Billie
Lester Young, o parceiro musical perfeito para Billie

 

Com o sucesso vieram os casamentos, a boemia, os romances – como o caso com a atriz Tallulah Bankhead e Orson Welles – e os excessos. Mas Billie Holiday não era só isso. Seu lado político aparece na gravação de Strange Fruit, um dos primeiros registros de uma canção de protesto contra o racismo. Seu lado artístico por sua vez traz uma cantora que, apesar de não possuir uma formação musical clássica, fez da sua voz um instrumento requintado e repleto de nuances, efeitos e possibilidades.

 

Billie e Tallulah em uma de suas "baladas"
Billie e Tallulah em uma de suas “baladas”

 

Lady Day perdeu a guerra para o vício e as complicações causadas pelo consumo excessivo de álcool, mas nos deixou um criação musical que mudou o curso da música, do canto e da interpretação. Uma boa busca na web e você vai encontrar pérolas sonoras que ainda serão ouvidas daqui a 100 anos. E não se iluda, Billie Holiday tem em seu repertório muito mais que canções com roupagens tristes. As interpretações de My Man, Travelin’ Alone, Summertime e Billie’s Blues mostram o lado cheio de swing de Holiday.

 

A voz de Billie deu ao jazz uma cara nova
A voz de Billie deu ao jazz uma cara nova

 

Então aproveite o centenário de Billie Holiday para conhecer, rever ou ouvir várias vezes uma das vozes mais marcantes do jazz! Aqui no Link Sonoro a gente confere a faixa Now or Never.

Até a próxima! 😀

 

 

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