Trinta anos. Dependendo do ponto de vista pode ser um tempo enorme ou talvez um espaço curto para tantas lembranças. Quando o assunto é Clara Nunes a gente fica com a segunda opção, afinal a trajetória desta artista é um manancial de assuntos fortes na cultura brasileira. O samba, a religiosidade, a poesia, a África, o Rio de Janeiro, as Minas Gerais, o canto, o folclore e toda a diversidade que abraça a arte produzida no Brasil. Por tudo isso, mesmo depois de 30 anos de sua morte, Clara é uma voz viva dentro da MPB.

 

Clara Nunes, uma alegria enorme de ser brasileira
Clara Nunes, uma alegria enorme de ser brasileira

 

Uma passeada rápida pela biografia de Clara e você pode enxergar na menina que deixou, ainda garota, a pacata Paraopeba (MG) e foi dar seus primeiros passos para o futuro em Belo Horizonte (MG), a Clara guerreira que não demoraria muito a surgir. Seu amor pela música a levou a cantar em uma igreja na capital mineira, depois a concursos de música e aos poucos, passo a passo, Clara Nunes foi abrindo o caminho que faria dela a 1ª cantora a bater recorde de vendas em uma época em que, mesmo com tantos nomes maravilhosos, não tinha tanto espaço para a voz feminina. E surge assim uma das artistas mais vigorosas da música brasileira, afinal mais do que voz Clara era corpo, alma e mente integrados na história do Brasil e suas raízes.

 

Deste olhar calmo nasceria aguerreira
Deste olhar calmo nasceria a guerreira

 

Clara Nunes buscava sempre agregar ao seu trabalho talentos das mais diversas épocas e regiões do país. Da comunidade da Portela a Folia de Reis do interior de Minas Gerais. De Cartola ao marido Paulo César Pinheiro. De Clementina de Jesus e D. Ivone Lara ou D. Zica à Beth Carvalho e Alcione. Do batuque da escola de samba aos tambores da África. Da música ao cinema. Do universo católico ao mundo do candoblé. Somando tudo isso, o resultado é uma carreira repleta de trabalhos marcantes e interpretações inesquecíveis. A guerreira e o Brasil estão ligados de tal maneira, que se você tentar falar da nossa música sem lembrar de Clara vai ficar a sensação de que falta um pedaço dessa história.

 

Clara Nunes e D.Zica, o abraço entre Portela e Mangueira
Clara Nunes e D.Zica, o abraço entre Portela e Mangueira

 

Se, por um leve acaso da natureza, você ainda não vasculhou cada canto da obra de Clara Nunes, aproveite este 2013 para beber do seu samba, da sua religiosidade e da sua pesquisa incansável sobre as raízes e tradições deste nosso Brasil. Com certeza, você vai descobrir um dos pedaços mais ricos da nossa cultura.

 

Brasil e África sempre juntos na arte de Clara
Brasil e África sempre juntos na arte de Clara

 

Agora é que são elas….como escolher só uma música na voz de Clara?!?! A vontade é colocar toda a obra da guerreira aqui, mas como não dá vamos fazer o seguinte: Clara numa dobradinha em A Deusa dos Orixás e Juízo Final – pra gente enxergar sua religiosidade e também sua sensibilidade para a beleza da poesia e do samba, e aí nada melhor que Nelson Cavaquinho.

Até a próxima!