Na sexta-feira 23.03.12 o Brasil sentiu um vazio repentino quando foi divulgada a morte de Chico Anysio, afinal a história do humor, da cultura, do rádio, da TV, a “nossa história” tem em Chico um dos seus nomes principais. Seu olhar crítico sobre a realidade de cada década, sua sensibilidade para representar o povo brasileiro, sua intuição para tratar de temas controversos através de suas 209 “criaturas” ( ou mais !), sempre nos levaram a algum tipo de reflexão, questionamento ou aprendizado. Talvez por isso o Professor Raimundo tenha sido seu primeiro e mais querido personagem. Era isso que ele fazia, usava a arte como ferramenta de crescimento e amadurecimento da sociedade.

Professor Raimundo, aquele salário pequeno de todo brasileiro

A carreira artística de Chico Anysio merece vários recortes, podemos separar em capítulos diferentes o escritor, o ator, o pintor, o humorista, o compositor, o diretor e teremos páginas e páginas de rara criatividade. Temos o capítulo impressionista onde Chico retratava com seus pinceis as paisagens que marcavam suas memórias, a parte do ator e humorista que, segundo o diretor Carlos Manga, era quase um médium, afinal quando caracterizado de Pantaleão, Roberval Taylor, Justo Veríssimo, Tim Tones, Neyde Taubaté, só pra citar alguns, não se enxergava mais aquele homem com seus fortes traços nordestinos e sim pessoas que a gente poderia encontrar a qualquer momento. Ainda poderíamos reservar espaço para o escritor com mais de uma dezena de livros publicados e o compositor e músico do grupo Baianos e os Novos Caetanos, onde Arnaud Rodrigues e Chico Anysio davam a sua versão do tropicalismo e apimentavam temas , que por várias vezes,  desagradavam a censura daquela época, em um momento vergonhoso do Brasil conduzido por uma ditadura cega. Como ele mesmo disse uma vez com sua dose característica de bom humor : “eu tinha problemas com a ditadura toda semana!” .

Tim Tones, crítica mais atual impossível

Chico Anysio também chegava às nossas casas simplesmente como Chico, e, sem nenhuma das indumentárias que montavam suas personagens, durante 16 anos comandou um quadro no Fantástico onde o cotidiano era o tema, um papo direto e bem humorado do nosso dia-a-dia. E tinha também o comentarista esportivo, claro, Chico Anysio amava o futebol ( e seu Vasco) e chegou a participar de várias transmissões “futebolísticas” como a Copa do Mundo de 1990 realizada na Itália. O cidadão realmente era um polo de criação e trabalho constante.

Chico com Galvão Bueno em uma das várias participações no esporte da Globo

Foi-se o Chico Anysio “pessoa física” e ficou a memória do Chico, aquele cara do nordeste brasileiro que fincou raízes no Rio e que criou um registro histórico deste Brasil varonil como poucos historiadores. Para nossa alegria somos herdeiros diretos de todas essas criações, fomos a inspiração para várias personagens, aplaudimos de pé esse Chico brasileiro e sua obra está fincada na nossa memória afetiva. Se estivéssemos em uma história em quadrinhos ele seria um daqueles paladinos que lutam para salvar nossa cultura dos vilões da censura, do mal gosto e da faltade conteúdo, um herói tipicamente nacional. Se quiser matar saudade é só ir no chicoanysio.com. Aqui no Link Sonoro você confere dois momentos dos Baianos e os Novos Caetanos, sensacional!

Até a próxima!

Chico City – Baianos e os Caetanos em 1973

Baianos e os Caetanos em 1978

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