João Bosco é daqueles artistas que não tem medo de sair da segurança de terrenos já dominados há anos em sua obra. Prova disto é seu novo CD ‘Não Vou Para O Céu, Mas Já Não Vivo No Chão’ que tem a produção de Francisco Bosco, filho do cantor. A proposta de um álbum onde violão e voz fossem o destaque, mas de forma mais enxuta, foi do próprio Francisco. Neste novo trabalho – o primeiro de inéditas em sete anos – João Bosco abre mão de sua maior característica, os acompanhamentos vocais cheios de ondulações, e coloca sua voz limpa a serviço unicamente das letras. O violão segue a mesma linha – claro não se pode dizer que o violão de João Bosco seja simples – com arranjos econômicos e delicados.
O disco traz a retomada da feliz parceria de João Bosco com Aldir Blanc, que não dava frutos desde os anos 80. São quatro faixas feitas por Bosco e Blanc e as parcerias não param por aí. Com Nei Lopes o cantor compôs ‘Jimbo Jazz’ – no mais clássico estilo João Bosco de cantar e tocar – e com Carlos Rennó, as suaves ‘Pronto Pra Próxima’ e ‘Pintura’. A única releitura é o samba ‘Ingenuidade’, composição de Serafim Adriano originalmente gravado pela saudosa Clementina de Jesus.
Na última faixa do CD, ‘Sonho de Caramujo’, João diz: eu moro dentro da casca do meu violão e você quase acredita! Bosco, seu violão e sua voz parecem mesmo fazer parte do mesmo corpo. Aqui no Amplificador você escuta, a própria, ‘Sonho de Caramujo’. Até a próxima!