Aqui no Amplificador da Pelo Mundo a gente gosta da música, do artista, do público que enxerga sua realidade em uma criação musical, literária, cinematográfica, teatral, enfim a arte pura e simples.

Falo isso para que o nosso papo sobre umas das estruturas mestras do DNA da música não caia nos monstros pessoais de Michael Jackson. Afinal, medos, inseguranças e erros fazem parte do universo de todos nós.

Naqueles anos 60 dos EUA, o preconceito racial era latente, porém uma explosão criativa em todos os lados da cultura fizeram com que espaços fossem conquistados com muito talento e determinação. A gravadora Tamla Motown por exemplo… Quem, naquela época, poderia imaginar a música negra em destaque nas rádios e vitrolas de recatadas famílias (brancas) americanas?

É nesse cenário efervescente que o grupo Jackson 5 surge no mundo musical. Michael Jackson, então um garotinho com menos de 10 anos, destacava-se pelo talento completo, pela segurança adulta de suas apresentações e pelo carisma peculiar que pessoas destinadas ao estrelato têm.
O som do grupo continha todos os elementos indispensáveis aos grandes sucessos da música feita na Motown. Soul, blues, jazz, muito swing e coreografias contagiantes. Um grupo formado por cinco irmão negros e que ainda tinha Michael Jackson como front man, não poderia dar em outra. O sucesso foi absoluto e ali surgiram clássicos como ‘Can You Remember’, ‘I Want You Back’ e a psicodélica ‘People Make The World Go Round’.
A banda, guiada pelo pulso firme e nada generoso do pai (Joseph Jackson) transformou-se em marca e o mundo foi tomado por quadrinhos, desenhos animados e vários souvenirs tendo os 5 garotos como personagens principais. Talvez eles nem imaginassem que estavam abrindo o caminho para tantos artistas e grupos que estariam em algum gueto, se o grande público, lá atrás, não tivesse cedido aos encantos daquelas crianças vindas de um subúrbio qualquer.
Paralelamente ao sucesso do grupo, a gravadora – ciente da jóia rara que tinha em mãos – começou a trabalhar a carreira solo de Michael e em 1972 ‘Got To Be There’ dá início a uma jornada marcada por hits inesquecíveis. Ainda pela Tamla Motown, Michael lançou ‘Ben’, ‘Music & Me’ e ‘Forever, Michael’.
Em 1979 chega ao mercado o primeiro álbum de Jackson (Off The Wall) em sua fase adulta e tem início ali, uma parceria que viria a gerar verdadeiras pérolas musicais. Ao lado do maestro e produtor Quincy Jones, Michael Jackson iria mudar completamente os rumos da música pop.
À esta altura, além da voz, da interpretação e da dança, Michael começou a mostrar um outro talento: o de compositor. E ali estava formado um artista completo, preocupado com a estética e qualidade de seus trabalhos, mas também atento às evoluções tecnológicas, que tornariam sua obra ainda mais abrangente.
Em Thriller, álbum lançado em 1982, se vê isso claramente. O vídeo clipe da música título utiliza todos os recursos disponíveis na época para dar o maior realismo e impacto possível. Está criado o rentável mercado de produção de videoclipes, fundamental na divulgação dos álbuns. Ponto para Michael, que cria uma tendência e Thriller se torna o álbum mais vendido da história da música. E isso, até hoje! Mais de 100 milhões de cópias em todo o mundo!
As participações de Paul McCartney em ‘The Gril Is Mine’ e do guitarrista Eddie Van Halen Em ‘Beat It’, deram um plus ainda maior a Thriller. Quem não se lembra de Sir McCartney se barbeando ao lado de um feliz Michael Jackson?

Mas, como dizem por ai, tudo o que é bom dura pouco e em 1987 chega as lojas de todo planeta o terceiro e último álbum da bem sucedida parceira de Jackson e Quincy Jones. Superar a marca do álbum anterior (Thriller) não seria nada fácil, mas ainda assim Bad foi sucesso absoluto. Mais uma vez os arranjos elaborados de Quincy, que mistura como ninguém todas as vertentes da música negra, e as interpretações e coreografias cada vez mais maduras de Michael abalam as estruturas do pop.

A faixa-título, Bad, é tocada a exaustão em todo mundo e o video clipe, mais uma vez, arrebata as tvs de vários países. Esse CD traz verdadeiras pérolas da obra de Michael Jackson como ‘Man In The Mirror’, ‘Dirty Diana’, ‘Liberian Girl’ e ‘Smooth Criminal’ tema do seu filme Moonwalker lançado em 1988.
A partir daí, a carreira musical de Michael Jackson não alcança o mesmo patamar de vendas de trabalhos anteriores, mas ainda assim, seu talento fala mais alto. O álbum Dangerous ( 1991) pára todas as TVS com a canção Black Or White, outro vídeo que ditou tendência e ainda traz os hits ‘Heal The World’ e ‘Remember The Time’. É com a turnê deste álbum que Jackson desembarca no Brasil em 1993 para show memorável em São Paulo.
E por falar nas andanças do Rei do Pop pelo o país, o ábum seguinte, ‘HIStory, Past, Present, Future’, tem um de seus videoclips gravados por aqui. O vídeo da faixa ‘They Don’t Care About Us’ teve cenas gravadas no Rio de Janeiro e em Salvador.

Nos anos 2000 Michael lançou Invencible ( 2001), Number Ones (2003) e a luxuosa edição de comemoração dos 25 anos do álbum Thriller (2008) e terminaria a primeira década do século XXI com uma série de 50 shows em Londres. Apresentações, que mesmo antes de acontecerem já deixavam fãs enlouquecidos, imprensa em polvorosa e a expectativa de que mais uma vez ele, o mais antenado e hi-tech dos astros da música, traria um espetáculo grandioso, um verdadeiro Cirque Du Soleil da música pop. Afinal, em todos os capítulos da história da música dos últimos 50 anos, parágrafos fundamentais foram traçados pela sua obra. E esse seria mais um. Sua volta por si só, a possibilidade de ver e ouvir seus grandes clássicos com as maravilhas que a tecnologia dos dias atuais oferece, seria mais um marco na música pop.

Aliás, esse texto termina assim, com a gente imaginando como seria essa balada. Os loucos por música da Pelo Mundo, bem localizados no O2 Arena, assistindo, não o retorno, mas o início de uma nova fase na música de Michael Jackson.