O mundo enfervescente da música sempre apresenta, aos ouvidos mais curiosos, gratas surpresas sonoras. Em dias de internet então, nem se fala, um clique e você pode dar de cara com uma dupla que faz um som onde jazz e soul music que ganha a cara do século XXI. Ou então um bando de caras branquelos que fazem uma música cool e dançante. Ou quem sabe um nome já conhecido na cena nacional, mas pouco escutado nos dias de hoje.

Mas vamos dar nome aos bois, o duo é o Tok Tok Tok formado pelo saxofonista e violonista Morten Klein e pela cantora e letrista Tokunbo Akinro. Uma boa fusão, ele alemão e ela filha de um nigeriano com uma alemã, nada mais globalizado. Jazz, soul music, a voz delicada de Tokunbo e os arranjos elegantes de Klein, nos trazem um estilo com um pouco da cara da metade do século XX mas com a sonoridade dos dias atuais. O mais novo trabalho do Tok Tok Tok, ‘She And He’, nos deixa com aquela vontade incontrolável de ouvir a próxima faixa.

Já o quinteto The Whitest Boy Alive merece realmente o nome que tem. Formado na Alemanha em 2003 pela outra metade do Kings Of Convenience, o norueguês Erlend Øye, o grupo de desajeitados grandalhões e branquelos, mergulha de cabeça na música negra usando elementos eletrônicos, guitarras suaves e a voz feita por encomenda para cada música de Erlend. Vale um passeio pelo YouTube para conferir as apresentações bem humoradas e os clipes com cara de anos 80 do Whitest. Esse ano eles lançaram Rules, album que cai bem a qualquer hora do dia ou da noite e em qualquer lugar, com faixas deliciosas como 1517, Gravity e Itentions.

E quem tem seus 30 e poucos anos, já ouviu ou viu ( nas tardes de sábado comandadas pelo velho guerreiro Chacrinha) uma cantora exótica com uma voz grave e igualmente diferente chamada Maria Alcina. Vale falar brevemente o curriculum de Alcina para os que, a essa hora, devem estar torcendo o nariz. Sua carreira começa em sua cidade natal – Cataguases(MG) – mas foi no Rio de Janeiro nos anos 70, após gravar ‘Mamãe, Coragem’ de Caetano Veloso e Torquato Neto e de vencer o VII Festival Internacional da Canção com Fio Maravilha de Jorge Ben Jor, que Maria Alcina se firmou no cenário da música nacional. Mas, seu visual extravagante e suas interpretações teatrais e irreverentes pareciam não agradar muito os responsáveis pela moral e bons costumes da época. Foi censurada em todo nosso Brasil varonil, algo que não impediu que a cantora lançasse diversos álbuns passeando sem nenhum preconceito pelas ‘mil e uma aldeias’ da música brasileira. Maria Alcina lançou a pouco tempo ‘Confete e Serpentina’ e se mostra atual e antenada. O samba está lá, bem humorado como em Cachorro-Vira lata, também está lá a parceria com representantes da nova safra da música nacional como Wado e o grupo Numismata, além de mestres com Paulinho da Viola e Sérgio Sampaio. Para aqueles que sabem que o preconceito é inadimissível inclusive e principalmente no mundo da música, taí uma boa dica, Maria Alcina com seus confetes e serpentinas sonoras.

E uma última dica, aquela rapidinha, a dupla alemã Boozoo Bajou que colocou no mercado, pelo selo K7, o relaxante ‘Grains’, muito dub, soul, blues, jazz para os ouvidos de fino trato.

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